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O que foi a Epidemia da Dança de 1518, evento bizarro que manteve centenas de pessoas dançando por semanas em cidade francesa

Radar Olhar Aguçado(há 36 minutos)
O que foi a Epidemia da Dança de 1518, evento bizarro que manteve centenas de pessoas dançando por semanas em cidade francesa

A expressão “dançar até cair” remete a um estado de êxtase após curtir uma festa, um show ou um momento que envolva música. Mas o termo também se relaciona com a epidemia da dança, um episódio bizarro que ocorreu na Europa há mais de 500 anos.

Em 1518, o evento deixou centenas de pessoas da cidade francesa de Estrasburgo em um estado de mania. Todos dançaram incontrolavelmente e aparentemente contra a própria vontade por cerca de dois meses.

Como a epidemia começou?

Em julho daquele ano, uma mulher registrada como Frau Troffea, segundo a enciclopédia Britannica, saiu às ruas e dançou até desmaiar de exaustão. Após descansar, ela retornou à atividade frenética e compulsiva. O comportamento anormal continuou por dias, afetando mais de 30 pessoas da cidade.

As autoridades ficaram alarmadas com o número cada vez maior de dançarinos. Os líderes cívicos e religiosos até teorizaram que mais dança seria a solução e, assim, providenciaram salões para os dançarinos se reunirem, músicos para acompanhar a dança e dançarinos profissionais para ajudar os afetados.

Mas isso só espalhou o contágio, e outras 400 pessoas foram eventualmente consumidas pela compulsão da dança. Várias delas morreram devido ao esforço.

Em setembro, a mania começou a diminuir.

Qual foi o motivo por trás da epidemia?

Por mais que não exista uma definição clara e comprovada do que realmente aconteceu, estudos contemporâneos sugerem possessão demoníaca e sangue superaquecido. Pessoas que investigaram o caso no século XX também sugeriram que os afetados poderiam ter consumido pão com farinha de centeio contaminada com o fungo ergot, que cresce dentro dos grãos e causa convulsões.

A teoria mais aceita foi a do historiador e médico americano John Waller, que expôs em artigos as razões para acreditar que a epidemia era um transtorno psicogênico coletivo, fenômeno em que um grupo de pessoas apresenta sintomas semelhantes derivados de uma causa em comum, como estresse extremo. 

Waller também considerou a presença de doenças, como varíola e sífilis, como os principais fatores de estresse que afetavam os moradores de Estrasburgo. O médico afirmou que havia uma crença local de que aqueles que não conseguissem apaziguar São Vito, padroeiro dos atores, comediantes e dançarinos, seriam amaldiçoados e forçados a dançar.

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