O chefe da força de paz das Nações Unidas no Líbano afirmou neste sábado (19) que é crucial garantir que outras agências da ONU e tropas libanesas possam assumir as tarefas desempenhadas pela missão antes do início de sua retirada, prevista para o fim deste ano.
O major-general italiano Diodato Abagnara falou à Reuters no sul do Líbano, em uma posição operada pela Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), que monitora as hostilidades na região há quase 50 anos.
Desde que uma nova guerra começou entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, em março, a força também passou a fornecer escolta de segurança para comboios de ajuda humanitária destinados a moradores de um pequeno grupo de cidades predominantemente cristãs no sul do Líbano, atualmente cercadas por tropas israelenses.
Moradores de grande parte do restante do sul do Líbano foram deslocados à força após ataques e ordens de evacuação emitidas por Israel.
O Conselho de Segurança da ONU determinou que a Unifil inicie sua retirada no fim de 2026. A decisão gerou preocupações sobre a continuidade da entrega de ajuda humanitária e sobre como a força poderá transferir suas posições para as tropas libanesas.
“Existem outras entidades das Nações Unidas aqui no sul e, por isso, é muito importante para nós realizar uma transição muito tranquila para diferentes entidades ou para uma futura nova missão”, disse Abagnara à Reuters.
Segundo ele, a Unifil já trabalha com a equipe da ONU no país para garantir assistência humanitária nas áreas ocupadas por Israel e compartilhar informações com o Exército libanês sobre “áreas sensíveis” e sobre “como eles podem administrar essa situação”.
Abagnara reconheceu que pode ser “muito difícil” transferir alguns dos postos da UNIFIL para as tropas libanesas, já que mais da metade deles está em áreas atualmente controladas por forças israelenses.
Diplomatas temem que a saída da Unifil signifique o fim dos “olhos e ouvidos” da ONU no sul do Líbano.
Abagnara falou à Reuters de um ponto com vista para Mansouri, cidade onde as forças israelenses realizam demolições desde que ordenaram a saída dos moradores em junho, apesar do cessar-fogo. Repórteres da Reuters puderam ver escavadeiras derrubando árvores e casas de vários andares na cidade.
Abagnara classificou as demolições como “mais uma violação” das resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o Líbano. Os militares israelenses afirmaram que estão destruindo infraestrutura do Hezbollah no sul do país.
Com o impasse em um plano apoiado pelos Estados Unidos para que o Exército libanês desarme o Hezbollah e assuma o controle do sul do Líbano, uma corrida diplomática está em andamento para preencher o vácuo que será deixado pela retirada da UNIFIL.
O Líbano quer uma prorrogação da missão. Outros países discutiram a criação de uma nova missão multinacional, embora ainda não esteja claro qual seria seu mandato.
Abagnara afirmou que uma prorrogação seria “uma grande honra”, mas que, sem uma nova decisão do Conselho de Segurança, suas forças terão de interromper as operações no fim do ano.
“Não é muito tempo”, disse. “A presença das Nações Unidas no sul é muito, muito essencial. E, na minha opinião, agora mais do que nunca.”

