Michelle Bachelet anunciou neste domingo (19) que desistiu da candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU. A ex-presidente do Chile era apoiada pelo Brasil na disputa para suceder António Guterres, mas perdeu força nas consultas.
Na última votação informal, ela recebeu apenas 1 voto a favor e 11 contra. Na consulta anterior, realizada em 21 de agosto, ela havia recebido dois votos favoráveis, seis contrários e sete abstenções.
Até o momento, a candidata Rebeca Grynspan, da Costa Rica, liderava a votação, com nove votos favoráveis, cinco contra e uma abstenção, enquanto Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, recebeu oito votos favoráveis.
“Hoje anuncio que decidi não continuar com minha candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
“Alguns acreditarão que não era o momento para uma candidatura como a que eu quis representar, quando os ventos sopram fortemente contra princípios como o multilateralismo, contra o direito internacional, que é permanentemente transgredido, contra a existência das mudanças climáticas, que alguns negam apesar das evidências científicas, e contra a democracia e os direitos humanos, que estão em perigo”, continuou. “Pelo contrário, embora desde o início estivesse na contramão, estou convencida de que era o momento de levantar a voz em defesa desses princípios que foram a bandeira da minha candidatura e que carreguei com orgulho”.
Bachelet disse ainda que não se arrepende. “Contribuímos para colocar no debate global a ideia de que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina, uma pessoa verdadeiramente independente e leal aos princípios da Carta da Organização e que os defenda com rigor diante dos Estados, independentemente de seu tamanho ou poder”, declarou.
Ela também agradeceu ao presidentes Lula e Cladia Sheinbaum que apoiaram a candidatura. Inicialmente, o nome de Michelle Bachelet foi apresentado por Brasil, México e Chile, que era presidido naquele momento por Gabriel Boric.
Já sob governo José Antonio Kast o Chile retirou o apoio a Bachelet afirmando que o atual cenário tornava a chance de sucesso inviável.
Apesar do recuo do Chile, o Brasil e México mantiveram o apoio à candidatura. O presidente Lula recebeu Bachelet em Brasília como parte das articulações para a sucessão na ONU.
Michelle Bachelet foi duas vezes presidente do Chile (2006-2010 e 2014-2018). Já nas Nações Unidas, foi líder da ONU Mulheres e alta comissária para Direitos Humanos.

