A eleição presencial de 2026 será definida pela rejeição aos candidatos, e não pela identificação do eleitorado com eles, segundo análise de Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data.
De acordo com Soller, “talvez seja a eleição mais negativa que o Brasil já viveu desde a redemocratização. Ele destacou que as pesquisas qualitativas revelam um clima de absoluto desânimo da população com o processo eleitoral.
Rejeição como fator determinante
Soller explicou que nenhum dos candidatos desperta grande identificação entre os eleitores. “É uma campanha que vai ser definida muito em função da rejeição a quem está sendo colocado”, disse.
Para o especialista, há um cansaço tanto com o governo atual quanto com a figura de seu principal adversário, que representa um movimento que “foi rejeitado nas urnas” anteriormente.
Ele ainda atribuiu esse clima negativo a aproximadamente uma década a qual avaliou que “a vida das pessoas não melhorou”, mesmo diante da alternância de poder.
O efeito dos escândalos nas pesquisas
O analista também abordou o impacto dos escândalos políticos nos índices das pesquisas eleitorais.
Soller traçou um panorama das oscilações observadas ao longo do ano, apontando que Flávio Bolsonaro chegou a crescer na opinião pública ao tentar se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo, conquistando eleitores de centro. No entanto, o surgimento de acusações graves interrompeu essa trajetória ascendente.
O especialista também analisou como uma crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal afetou negativamente o governo atual. Ele observou que a população, especialmente as classes mais baixas, não distingue claramente entre os diferentes poderes da República.
Esse fenômeno teria gerado um movimento de rejeição que beneficiou a candidatura de Flávio Bolsonaro, fazendo o pêndulo das pesquisas se alternar.
“Hoje, a preço do dia, está melhor para o Flávio Bolsonaro do que para o Lula”, concluiu o analista.

