Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o banco Goldman Sachs projeta que o preço do petróleo pode superar os US$ 120 por barril. O petróleo já havia fechado acima dos US$ 108 no pregão anterior, ampliando uma alta que vem preocupando analistas e mercados ao redor do mundo.
Pedro Rodrigues, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), explicou que a projeção do Goldman Sachs está associada a um cenário de estresse máximo. “Esse número de 120 dólares vai ser atingido, segundo os analistas, em razão de um cenário de estresse máximo”, afirmou.
Segundo ele, esse cenário contempla a continuidade da guerra, a restrição no fluxo pelo Estreito de Ormuz e o avanço dos conflitos sobre infraestruturas estratégicas de produção.
Estreito de Ormuz com fluxo drasticamente reduzido
Pedro Rodrigues destacou que o Estreito de Ormuz, que chegou a movimentar entre 19 e 20 milhões de barris de petróleo por dia, opera atualmente com um fluxo entre 4 e 9 milhões de barris diários.
De acordo com o relatório do Goldman Sachs mencionado por Rodrigues, a normalização desse fluxo só deve ocorrer após 2027. Além disso, oleodutos utilizados pela Arábia Saudita para escoar parte de sua produção teriam sido bombardeados, e os estoques globais de petróleo estão em níveis muito baixos.
No entanto, Pedro Rodrigues fez uma distinção importante entre picos de preço e médias anuais. “Quando a gente olha o preço do barril anual, a gente trabalha muito mais com a média do que os picos”, disse.
Para o especialista, o cenário mais provável, sem escalada adicional do conflito, aponta para uma média entre US$ 80 e US$ 85 por barril em 2026 e 2027. “O mercado de petróleo global já entendeu que a guerra não vai acabar amanhã, que a guerra ainda pode tomar muito tempo”, avaliou.
Fatores exógenos que podem se tornar estruturais
Pedro Rodrigues alertou que os chamados fatores exógenos à indústria do petróleo — como ataques aéreos e contra-ataques militares — podem, em determinadas circunstâncias, tornar-se endógenos, ou seja, impactar diretamente a oferta da commodity de forma mais permanente.
“A partir do momento que esses fatores se tornam endógenos, afetando a oferta de petróleo de forma mais permanente, é que a gente pode ver o avanço do preço médio”, explicou.
O especialista também ressaltou as consequências diretas para o consumidor. Segundo ele, preços elevados de petróleo por um período prolongado resultam em inflação e encarecimento generalizado de produtos. “O petróleo está em tudo que a gente vê, no tomate que chega na nossa casa até a roupa que a gente compra”, afirmou.
Rodrigues lembrou ainda que, antes do início do conflito, o barril era negociado em torno de US$ 60 a US$ 65, o que representa uma alta de 30% a 40% no custo do petróleo consumido atualmente.

