O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista exclusiva à CNN que as medidas econômicas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil representam uma interferência eleitoral, com o objetivo de gerar um sentimento negativo em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o ministro, a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros não se justificaria pela própria relação comercial entre os dois países. Durigan argumentou que o Brasil compra mais dos EUA do que vende ao mercado americano em diversos segmentos e citou o déficit brasileiro nessa relação.
“Na própria lógica do Trump, não faz sentido uma tarifa em relação ao Brasil”, afirmou.
Durigan também classificou como injusto o impacto das medidas sobre o Brasil. Segundo o ministro, no fluxo comercial, os brasileiros têm maior impacto ao utilizar recursos em dólar para importar dos EUA.
“Não faz nenhum sentido você punir o Brasil, que é um país mais pobre, que tem renda per capita mais baixa”, disse.
O ministro reiterou ainda que o presidente Lula tentou abrir um canal de negociação diretamente com o governo americano. “O presidente Lula foi até a Casa Branca para propor discussões ao presidente Trump”, ressaltou.
Solução após as eleições
Na avaliação de Durigan, o cenário político atual dificulta a resolução do impasse comercial. Ele disse que, após o processo eleitoral, a discussão deverá voltar a se concentrar nos aspectos econômicos da relação bilateral.
“Depois da eleição isso tem que se resolver pela própria gravidade da discussão econômica. Isso vai mudar de lugar e nós vamos resolver o problema da tarifa depois”, afirmou.
O governo brasileiro vem mantendo negociações com autoridades americanas para tentar reduzir as tarifas aplicadas às exportações do país. Em 31 de agosto, Brasil e EUA retomaram o diálogo, com o compromisso de avançar nas discussões sobre as medidas tarifárias adotadas por Washington.
Em julho, os EUA oficializaram uma sobretaxa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O governo americano também adotou outras medidas tarifárias que, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), alcançaram 23% das exportações brasileiras.

