A Vinci Compass, gestora que administra mais de R$ 360 bilhões, está de olho no setor de geração distribuída de energia no Brasil. Durante entrevista ao programa “É Negócio“, da CNN Brasil, Alessandro Horta, cofundador e CEO da empresa, explicou que a tese de consolidação nesse segmento surge justamente porque o setor atravessou uma fase de grande instabilidade nos últimos anos.
Oportunidade em meio à crise do setor energético
Segundo Horta, o interesse da gestora no setor decorre de dois fatores principais. O primeiro é o conhecimento acumulado em energia, área em que a empresa já registrou algumas de suas teses mais bem-sucedidas.
O segundo é o cenário de fragilidade do setor, marcado por uma espécie de “corrida do ouro” de investimentos feitos sem o devido planejamento. “Muita gente investiu sem ter o preparo ou planejamento que nós julgamos teria sido adequado”, afirmou.
Diante disso, Horta avalia que há hoje uma necessidade clara de capital e de organização no setor. “A gente está observando a oportunidade muito grande de prover capital a níveis interessantes de retorno para esse setor”, disse.
O desafio, no entanto, está na captação desse capital, em um ambiente de alta taxa de juros que torna a renda fixa mais atrativa do que o private equity para muitos investidores.
Visão do investidor estrangeiro sobre o Brasil
Ao analisar o olhar do capital internacional sobre o país, Horta destacou que a alocação de portfólios estrangeiros no Brasil está em nível historicamente baixo, especialmente nos mercados privados. Para ele, isso significa que há mais espaço para fluxo positivo do que negativo. “Não há muito um fluxo negativo grande para acontecer”, avaliou.
O executivo descreveu o Brasil como parte de um “barbel” de investimentos globais: de um lado, os ativos ligados à tecnologia e à inteligência artificial; do outro, o chamado “mundo real”, composto por alimentos, energia e recursos naturais.
Nesse segundo polo, o Brasil e a América Latina ocupam posição de destaque. “A América Latina é uma região razoavelmente protegida geopoliticamente, está longe dos grandes conflitos”, observou Horta, acrescentando que segurança jurídica, ambiente regulatório e segurança pública são os fatores que mais preocupam os investidores estrangeiros.
Alimentação fora do lar como tese de investimento
Além do setor energético, a Vinci Compass mantém posições relevantes no segmento de alimentação fora do lar. A gestora já foi acionista do Burger King e atualmente detém participações no Outback e no Domino’s.
Horta explicou que o setor é atraente justamente por apresentar baixa ameaça de disrupção tecnológica imediata e por se beneficiar do robusto mercado interno brasileiro.
“Essas teses voltadas para o mercado interno são bastante interessantes e o setor de alimentação fora do lar é uma delas”, afirmou. Segundo ele, a gestora está sempre aberta a novas oportunidades no segmento, com planos de expansão também para outros países da América Latina e, eventualmente, abertura de capital como etapa seguinte do processo.
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.

