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“Vai envolver Milton Leite”: membros do PCC citam ex-vereador em negociação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
“Vai envolver Milton Leite”: membros do PCC citam ex-vereador em negociação

Um áudio em uma conversa atribuída a dois membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) cita o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), alvo de uma operação contra a infiltração de faccionados em empresas de ônibus em São Paulo. Leite é considerado foragido pela polícia de São Paulo.

A mensagem, que consta na denúncia do MPSP (Ministério Público de São Paulo) que embasou a operação, mostra um dos suspeitos afirmando que teria que “envolver Milton Leite” logo após duas empresas serem apontadas como “laranjas” para lavagem de dinheiro ligada à facção.

As investigações apontam que ao menos 12 empresas das 22 que são responsáveis pela operação de transporte público na capital são controladas direta ou indiretamente pelo PCC.

Além do ex-vereador, outros 15 foram alvo da ação, entre eles o candidato à deputado estadual Danilo Morgado (PL), o ex-presidente da SPTrans Levi Oliveira, três advogados e outros integrantes atuantes na facção criminosa.

A operação foi finalizada com dez presos. Milton Leite, já considerado foragido, afirmou na quinta-feira (17) que estava viajando e que se apresentaria à polícia em até 24 horas. Nesta sexta (18), a polícia fez uma nova operação para tentar localizar o ex-vereador, em Sorocaba, no interior do estado, mas ele não foi localizado.

“Vai envolver o Milton Leite”

O áudio anexado à investigação foi enviado pelo faccionado José Daniel Satilite a Cícero Jose dos Santos Filho, advogado e também membro da facção, após a deflagração da Operação Fim da Linha, em 2024, que teve como alvo duas empresas que prestavam serviço à prefeitura na época: a UPBus e a Transwolf. Elas eram suspeitas de serem usadas como “laranjas” para lavar dinheiro advindo do PCC.

No diálogo, Daniel cita que, diante do contexto desfavorável para a UPBus, seria preciso “envolver Milton Leite” para resolver aquela situação.

As investigações ainda reforçam que o nome de Milton Leite não estava ligado aos contatos de Satilite, mas foi envolvido após as apurações da operação de 2024, quando ele foi apontado como o “verdadeiro dono da empresa Transwolf”.

Quem são os alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP

O áudio que cita o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo foi enviado no dia 15 de julho de 2024: “Referente ao Levi [Levi Oliveira, presidente da SPTrans entre 2020 e 2025], lá da São Paulo Transporte [SPTrans], o Lima está indo lá. Primeira reunião, tá? Vamos ver no que vai dar. Eu acho que vai envolver Milton Leite, pessoal todo.Se tiver saída, beleza. Aí se não tiver também, amém, né? Vambora”, diz o suspeito.

De acordo com a polícia, a conversa contextualizada demonstrava que os membros do PCC tinham “extrema preocupação” em falar com o ex-vereador sobre os desdobramentos envolvendo a empresa de ônibus UPBus.

Nesse mesmo diálogo, Satilite ainda teria reforçado que antes de fazer uma troca das empresas de transporte coletivo, teriam que “iniciar a conversa com o “Levi da São Paulo Transportes”.

Segundo o MP, Levi aproveitava o cargo na SPTrans para tratar de assuntos de interesse do PCC. Ele foi preso na operação desta quinta.

A CNN Brasil pediu um novo posicionamento a Milton Leite e a Levi Oliveira sobre as citações e aguarda retorno.

Outros lados

Nota da Prefeitura de São Paulo

“A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça.

Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”

Além disso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou a criação de um grupo formado por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para analisar os elementos e apurar uma possível intervenção no contrato com a empresa A2.

“A Prefeitura fará um levantamento rigoroso de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, adotando imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais que forem necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade dos serviços à população. A Prefeitura de São Paulo reafirma que não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações”, afirmou Nunes.

Nota de Milton Leite

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.

Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência.

A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor.”

Nota de Levi dos Santos Oliveira

“O escritório Fernando José da Costa Advogados, que representa o Dr. Levi dos Santos Oliveira, foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira, com a notícia de sua prisão. Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação.”

A reportagem tenta contato com os outros citados. O espaço segue aberto.

Entenda a operação

A investigação é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024.

Na ocasião, foi identificada uma complexa rede de comunicação usada pelo PCC para manter contato entre integrantes presos e aqueles que estavam em liberdade, inclusive por meio da atuação de advogados.

As investigações também identificaram lideranças da organização criminosa vinculadas às chamadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”. Além disso, foi apontado um projeto de infiltração de integrantes do crime organizado nas eleições municipais de 2024, com o lançamento de candidatos aos cargos em disputa.

A operação anterior também apontou o possível envolvimento de uma servidora municipal comissionada com um integrante do alto escalão do Primeiro Comando da Capital.

Nesta nova fase, as investigações identificaram novamente a atuação de advogados em suposto acordo secreto com o crime organizado. Também foi detectada a presença do PCC em empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, com participação ativa de parte dos investigados identificados até o momento.

Segundo as investigações, a análise do material apreendido permitiu identificar uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital.

Novo organograma do PCC mostra “sintonias” e dimensão da facção; veja

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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