Em recente visita ao Uruguai, esta semana, o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) Roberto Perosa, disse que a divisão da cota de carne bovina para a União Europeia esteve em discussão.
Perosa contou que a maioria dos representantes dos quatro países que compõem o bloco Mercosul concordou com a definição de cotas de acordo com a capacidade de produtiva.
“Queremos que sejam adotados critérios quanto a capacidade produtiva de cada país, a performance, nos últimos anos para fazer uma divisão baseada na produção. Estamos muito alinhados com o Uruguai e a Argentina. Mas falta a adesão do Paraguai e eu acredito que vai acontecer”, afirmou.
Segundo o presidente da Abiec, o Paraguai defende percentuais iguais, de 25% para cada país membro, independentemente do tamanho do rebanho ou capacidade de produtiva.
Mesmo com as exportações de carne bovina suspensas desde o dia 03 de setembro, e sem prazo para voltar a vender para a União Europeia, Perosa disse que a Abiec continuará trabalhando pela definição dos percentuais.
“O Brasil está fora do jogo momentaneamente. Vamos voltar para o jogo e a gente precisa garantir o acesso a esse mercado que é tão importante na formação de preços.”
Em 2025, o Brasil vendeu US$ 1 milhão em carne bovina para a União Europeia. E praticamente metade desse faturamento foram gerados a partir de setembro, nos últimos quatro meses do ano: US$ 504 milhões.
Esse é o impacto financeiro e imediato que o presidente da Abiec espera com a suspensão das exportações para o bloco Europeu.
A UE consome cortes nobres, do traseiro do boi, demanda totalmente diferente de outros importantes players compradores. A China, por exemplo, compra cortes do dianteiro e, os Estados Unidos, demandam recortes de carne magra para produção de carne moída e hamburgueres. Não há outro país que absorva essa oferta excedente de carne nobre brasileira imediatamente.
O presidente da Abiec ressaltou a criação de um protocolo sobre o uso dos antimicrobianos na produção de gado. O documento criado junto com a CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil) e a ABCAR (Associação Brasileira das Empresas de Certificação por Auditoria e Rastreabilidade) foi promulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Conta com adesão de todas as empresas associadas a Abiec.
“Foi o setor privado que desenvolveu esse protocolo. Além da adesão de 100% da indústria estamos, junto com a CNA e a ABCAR, fazendo um trabalho para aumentar a adesão de mais pecuaristas que ainda é baixa”, afirmou.
O próximo passo nesse processo, segundo o executivo, é a União Europeia reconhecer esse protocolo abrindo assim caminho para o Brasil voltar a lista de países aptos.
“A UE precisa dizer é que ela está de acordo com os métodos que o governo brasileiro propõe para a verificação dos produtos enviados ao continente. O protocolo é uma das ferramentas, porque alegavam que faltava isso. Precisamos de uma sinalização de que confia na autoridade sanitária brasileira, como fez ao visitar a cadeia produtiva de aves”, disse o executivo se referindo a auditoria técnica feita esse mês em granjas e frigoríficos de aves no Brasil.
“A partir do momento que a autoridade europeia diga ‘ok, estamos de acordo, confiamos na verificação do Ministério da Agricultura’, vamos trabalhar para ter um um período de transição para garantir o fluxo comercial”.

