O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrariou uma orientação interna de sua campanha ao elogiar publicamente Alexandre de Moraes em meio à crise no Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista ao podcast “Desce a Letra”, na quarta-feira (16), Lula afirmou que Moraes “prestou dois grandes serviços” à democracia brasileira. A menção, segundo fontes ouvidas pela âncora Tainá Falcão, não era esperada pela cúpula da campanha.
“O presidente Lula acabou expressando isso de maneira muito espontânea e, por consequência, contrariou uma estratégia de campanha”, destacou Tainá durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (18).
De acordo com Tainá, o entendimento dentro da campanha era de que Lula deveria evitar qualquer defesa expressa do ministro e manter o governo distante da crise no Judiciário, sustentando a posição de que “a crise do Judiciário não é nossa, do Executivo”.
Na entrevista, Lula destacou a atuação de Moraes após os ataques de 8 de janeiro e durante o período em que o ministro comandou o Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2022.
“Ele fez uma ponderação quando disse, de novo, que Moraes deve ser investigado se existirem elementos contra ele, e recordou que não foi ele quem indicou Alexandre de Moraes para o Supremo”, pontuou Tainá.
Tainá observou que, ao mesmo tempo, Lula endureceu o discurso em relação a André Mendonça. Em outra entrevista, à Rádio Itatiaia na quinta-feira (17), o presidente afirmou que Mendonça teria usado as relatorias dos casos Master e INSS para fazer política, divulgando de forma seletiva informações das investigações.
Riscos para a campanha
Segundo Tainá, aliados avaliam que, ao nominar os ministros e definir quem são seus aliados e adversários dentro do STF, Lula mergulha na disputa interna da corte, da qual a campanha vinha tentando se manter afastada.
“A campanha teme que a crise reative um sentimento antipetista, que devolva de vez à oposição, ao Flávio Bolsonaro, a bandeira do combate à corrupção”, destacou.
Apesar das preocupações internas, as pesquisas citadas até o momento não indicam impacto direto da crise do Supremo no cenário eleitoral. “As pesquisas deixam o Planalto em ‘modo de espera’, com um pouco mais de conforto nesse momento”, afirmou Tainá.
A âncora destacou que as últimas pesquisas Datafolha e Quaest não apontam que um julgamento envolvendo os ministros do STF seja capaz de mudar a intenção de voto do eleitor.
A campanha segue mapeando os limites possíveis do discurso diante de uma crise que, na avaliação do Planalto, ainda está em aberto.

