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Família real britânica enfrenta nova crise com revelações de irmão de Diana

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Família real britânica enfrenta nova crise com revelações de irmão de Diana

O rei Charles queria que todos os olhares estivessem voltados para a inteligência artificial, enquanto se preparava para sediar uma grande cúpula para discutir a controversa tecnologia.

Mas esses planos foram frustrados depois que um novo escândalo envolvendo a família real estampou as capas dos jornais poucas horas antes do início do encontro desta quinta-feira (17), ameaçando ofuscar a reunião sobre tecnologia e mergulhando a família em uma nova crise.

“Surto surpreendente de Charles dias após a morte de Diana”, dizia a manchete do Daily Mail, enquanto o Daily Telegraph estampava: “Palácio reage ao irmão de Diana”.

O Palácio de Buckingham divulgou uma rara resposta na quarta-feira (16), depois que Charles Spencer, irmão da falecida princesa Diana, afirmou que o então príncipe de Gales havia dito a ele, dias após a morte dela, que “logo vamos esquecê-la”, segundo um trecho publicado pelo Daily Mail de seu próximo livro.

Spencer afirma que Charles iniciou uma “onda de raiva” durante uma conversa telefônica após a morte de Diana, depois que Spencer argumentou que sua irmã não gostaria que William e Harry participassem do cortejo fúnebre.

Novas declarações publicadas nesta quinta-feira em outro trecho divulgado pelo Daily Mail afirmam que Charles “parecia eufórico — como um ganhador de loteria” ao falar com Spencer na noite da morte de Diana. A CNN não teve acesso ao livro de Spencer, “Swan Song: Diana, My Sister”, antes de sua publicação na próxima semana.

A princesa de Gales morreu em agosto de 1997, após sofrer ferimentos internos provocados por um acidente de carro em alta velocidade em Paris. Seus filhos, que tinham 15 e 12 anos na época, participaram do cortejo fúnebre dias depois ao lado de Charles, de quem Diana era divorciada.

Princesa Diana no baile do Met Gala em 1996
Princesa Diana no baile do Met Gala em 1996 • Richard Corkery/NY Daily News Archive via Getty Images

As memórias de Spencer relembram um período particularmente delicado para a família real.

Conhecida como a “Princesa do Povo”, Diana era uma figura querida no Reino Unido e em todo o mundo. Sua morte prematura, aos 36 anos, chocou o país. A reação inicial da família real à morte foi criticada por ser excessivamente fechada, desencadeando uma crise constitucional e uma forte reação negativa da opinião pública.

Em resposta às memórias, o Palácio de Buckingham questionou o julgamento pessoal de Spencer após a morte de Diana — uma intervenção incomum, até mesmo nas palavras do próprio palácio, e que demonstra a dimensão da crise aos olhos da “firma”, como a família real é às vezes chamada.

“Embora não comentemos livros como questão de princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto entre irmãos pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outras pessoas não reconhecem, mesmo muitos anos após uma perda tão grande”, afirmou um porta-voz do palácio.

Para alguns observadores da família real, a resposta da “firma” lembrou a repreensão feita pela falecida rainha Elizabeth II em 2021 a várias alegações feitas pelo duque e pela duquesa de Sussex, depois que o casal deixou o Reino Unido rumo à América do Norte após se afastar das funções reais.

“As lembranças podem variar”, disse a rainha na época.

Trechos do livro também detalham a percepção de Spencer sobre o relacionamento infeliz de sua irmã com Charles, incluindo a alegação de que ela encontrou uma pulseira que seu então noivo havia comprado para Camilla e, posteriormente, tentou romper o noivado. O livro também afirma que Charles a chamou de “gordinha” logo após o noivado, comentário que Diana, que sofria de um transtorno alimentar, considerou “devastador”. Muitas dessas histórias já foram relatadas anteriormente por diferentes biógrafos e veículos de comunicação. O palácio disse à CNN nesta quinta-feira que não tinha mais nada a acrescentar à declaração anterior.

Rei Charles e rainha Camila participam de evento em Londres em 2023 • 11/11/2023 Chris Jackson/Pool via REUTERS

Novas dores de cabeça

O ano começou de forma particularmente turbulenta para a família real britânica, incluindo a prisão do irmão do rei Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, em seu aniversário de 66 anos, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido.

Mountbatten-Windsor deixou o cargo em 2011, após sofrer fortes críticas por seus vínculos com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Ele negou veementemente qualquer irregularidade em suas relações com Epstein e negou ter obtido ganhos pessoais com sua função de enviado comercial britânico, segundo relatos da imprensa britânica.

Após um verão mais tranquilo, a família esperava ter um fim de ano sem escândalos. Mas o próximo lançamento das memórias de Spencer, pouco depois do retorno surpresa do príncipe Harry e de Meghan ao país, traz novas dores de cabeça para a família.

Em meio à turbulência, membros seniores da família real cumpriram uma agenda movimentada nesta quinta-feira.

No mesmo dia, Harry fez sua primeira aparição pública desde que voltou ao Reino Unido com a família no mês passado, participando da primeira edição do Invictus Spirit Awards, uma cerimônia que homenageia militares, veteranos e integrantes de comunidades que foram feridos, ficaram doentes ou sofreram lesões, além de apoiadores do evento, em Londres. Celebridades como o comediante James Corden, a cantora Jess Glynne e Ross Kemp estiveram presentes.

Harry ao lado de sua esposa Meghan em Wellington, no Estado norte-americano da Flórida • 12/04/2024 REUTERS/Marco Bello

Harry e Meghan não exercem funções como membros da família real desde o retorno, mas a aparição do príncipe indica que ele não pretende se afastar dos holofotes.

Charles divulgou uma carta no início deste mês esclarecendo que o casal deveria ser tratado como “cidadãos particulares”, uma decisão que teria “surpreendido” Harry e Meghan, segundo um porta-voz dos Sussex.

O casal e os filhos, o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5, têm se mantido em grande parte longe dos holofotes desde o retorno.

Mas eles não ficaram imunes a todos os problemas. Entre eles, a mudança de escola dos filhos apenas alguns dias após o início do novo ano letivo, citando questões práticas de segurança.

A decisão ocorreu depois que a imprensa britânica informou que Meghan havia recebido uma nova avaliação de segurança pela primeira vez desde que deixou as funções reais — outro ponto de tensão entre o casal e o restante da família.

Enquanto isso, o príncipe William e sua mulher, Kate, príncipe e princesa de Gales, fizeram nesta quinta-feira sua primeira visita oficial à Ilha de Bute, na Escócia.

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