Últimas

Após atrasos, governo quer leiloar ferrovia no Sudeste em 2027

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Após atrasos, governo quer leiloar ferrovia no Sudeste em 2027

O leilão do Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118) precisou ser empurrado para o primeiro trimestre de 2027, segundo o diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Sampaio. Isso aconteceu porque os trâmites regulatórios para a publicação do edital atrasaram.

Durante o programa Conexão Infra, o diretor disse que a nova previsão de divulgação do edital da ferrovia é até dezembro deste ano.

No cronograma anual, divulgado no final de 2025, pelo Ministério dos Transportes, o leilão da EF-118 estava marcado para junho. Com os atrasos, a CNN apurou que o certame tinha ficado para setembro. Porém, novamente a disputa precisou ser adiada.

A previsão do governo é que os 575 quilômetros da EF-118 sejam construídos em quatro anos. A ferrovia vai conectar o Porto do Açu (RJ) ao litoral do Espírito Santo e promover a integração com a Malha Sudeste.

O projeto da ferrovia prevê cerca de R$ 4,1 bilhões em recursos de investimento, sendo R$ 2,8 bilhões provenientes da repactuação do contrato da MRS e outros R$ 670 milhões relacionados à renovação da Rumo.

A construção da ferrovia será feita em duas fases. A primeira é obrigatória e vai de São João da Barra, no Rio de Janeiro, até Santa Leopoldina, no Espírito Santo. A segunda etapa é opcional e depende da validação de viabilidade por parte do Ministério dos Transportes.

Outro trecho que estava previsto no início do projeto e que foi descartado são os 80 quilômetros entre Santa Leopoldina e Anchieta, ambos localizados no Espírito Santo. Essa era uma contrapartida da Vale pela prorrogação antecipada dos contratos atuais.

Investimento cruzado

Para realizar o leilão do Anel Ferroviário do Sudeste, porém, o governo precisa que o TCU valide a utilização do uso das contas vinculadas para direcionar os recursos do investimento cruzado da Rumo e da MRS.

No início de setembro começou a deliberação do processo no TCU, que vai definir o futuro desse mecanismo. Porém, três ministros pediram vista ao processo e o assunto só deve voltar ao Plenário em novembro.

Embora o processo trate da modelagem da EF-118, a decisão vai se estender para todo o setor ferroviário. Na prática, a definição do tribunal pode determinar se o governo terá segurança jurídica para utilizar a conta vinculada em outros contratos ferroviários.

A ideia do mecanismo é substituir o modelo em que uma concessionária executa diretamente uma obra fora de sua própria concessão por um sistema em que os recursos são depositados em uma conta e posteriormente direcionados para uma nova concessão, com a obra sendo executada pela empresa vencedora do futuro leilão.

Essa possibilidade é prevista pelo marco ferroviário, que foi aprovado em 2021, e já é uma prática no setor. Porém, como não havia um aval do TCU, existia um receio do mercado do mecanismo ter problemas legais.

Após atrasos, governo quer leiloar ferrovia no Sudeste em 2027 — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado