A Justiça de São Paulo realiza, nesta quinta-feira (17), a primeira audiência de instrução sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante a prática de “rope jump” na Trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo. Quatro pessoas são rés e respondem por homicídio qualificado.
Segundo a defesa de um dos acusados, os réus nãos serão ouvidos hoje, apenas testemunhas de acusação. Até o momento, não há previsão da oitiva de Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves.
Nessa fase, as defesas poderão apresentar elementos que serão anexados ao processo judicial com base em depoimentos de testemunhas e dos acusados para a produção de provas sobre as circunstâncias da morte e a atribuição da responsabilidade aos envolvidos.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Limeira em agosto. A CNN Brasil entrou em contato as defesas e aguarda retorno.
Salto sem corda
No dia 13 de junho, Maria Eduarda contratou o serviço da empresa Entre Cordas para a realização da atividade esportiva “rope jump”. No entanto, após ser lançada pelos funcionários de uma altura de 40 metros, observou-se que ela não estava presa aos equipamentos de segurança.
Testemunhas gravaram o momento do acidente. Nas imagens, é possível ouvir pessoas gritando ao perceberem que ela não estava presa ao sistema de segurança.
Após o ocorrido, manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) foram realizadas por pessoas que estavam no local até a chegada de equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). No entanto, Maria Eduarda morreu ainda no local em decorrência de politraumatismo.
Denúncia
Em depoimento à polícia, os acusados que trabalhavam no momento do crime não conseguiram explicar como ocorreu a falha. A Justiça de São Paulo classificou o caso como negligência e converteu as prisões deles em preventivas.
Foram realizados dois inquéritos que concluíram que houve culpabilização dos réus e a prática dos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.
Os três instrutores da empresa Entre Cordas Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, foram indiciados por homicídio qualificado. Já Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pelas investigações como responsável pela empresa, além de homicídio, também foi indiciada por fraude processual, uma vez que houve a tentativa de eliminar a câmera presa ao corpo da jovem na tentativa de obstruir a investigação.
Segundo as apurações, Evelyne gerenciava a logística, captação de clientes e a divulgação comercial da empresa. O órgão também afirma que, por ela estar nessa função, tinha o dever de garantir os “padrões mínimos de segurança” realizado pelos instrutores.
Todos tiveram prisão convertida em preventiva desde então.
Os quatro funcionários foram denunciados pelo Ministério Público no início de julho, quase um mês após a morte da jovem, por homicídio com dolo eventual. O órgão afirma que eles tinham pleno conhecimento do perigo da atividade, mas deixaram de adotar o cuidado necessário para resguardar a segurança de Maria Eduarda.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

