O dono de um restaurante com duas estrelas Michelin na Coreia do Sul quase foi presa em um caso amplamente divulgado envolvendo uma sobremesa coberta com formigas secas importadas dos EUA e da Tailândia desde 2021.
Na última quarta-feira (16), o Tribunal Distrital Ocidental de Seul multou a proprietária do restaurante em 15 milhões de won (R$ 55 mil). O problema não é que as formigas apareceram no cardápio, mas sim nas leis alimentares complexas da Coreia do Sul, que regulamentam quais insetos podem ser consumidos.
O Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica do país afirmou que os investigadores “descobriram que as formigas deste restaurante continham níveis de metais pesados até 55 vezes superiores ao limite máximo permitido para outros insetos comestíveis”.
Advogados que representam o restaurante disseram que o chef usou formigas para adicionar acidez ao prato, sem saber que a receita que ele usava nos EUA e na Europa é proibida por lei na Coreia do Sul, informou a mídia local.
Segundo a Lei de Saneamento Alimentar do país, apenas 10 espécies de insetos — incluindo gafanhotos e bichos-da-seda — são permitidas para consumo humano. Servir qualquer outro inseto, como formigas, exige autorização especial das autoridades.
Quais países permitem o consumo de insetos?
Segundo um relatório de 2013 da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Alimentação e a Agricultura, pelo menos dois bilhões de pessoas em todo o mundo já consomem insetos diariamente.
De acordo com a FAO (Ogranização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), os grupos de insetos mais consumidos em todo o mundo são formigas, besouros, abelhas, lagartas, cigarras, grilos, libélulas, moscas, gafanhotos, percevejos, locustas, cochonilhas, cupins e vespas.
O Sudeste Asiático é uma das regiões onde o consumo de insetos é mais comum. Países como Indonésia, Vietnã, Filipinas e Malásia possuem mais de 900 espécies comestíveis. As mais comuns são até vendidas por comerciantes nas ruas.
Nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drinking Administration) permite o consumo de insetos, desde que sejam criados em condições higiênicas. Além disso, a agência federal afirmou em um manual oficial que pedaços dessas criaturas podem ser processados junto com alimentos comuns do dia a dia por conta do cultivo e da colheita de alimentos.
Em 2021, a União Europeia autorizou, pela primeira vez, o comércio de quatro tipos insetos como alimento. O comunicado publicado na época dizia que larva-de-farinha-amarela, gafanhoto-migratório, grilo-doméstico e besouro-da-ninhada poderiam ser desidratados ou usados como ingredientes de produtos alimentícios, biscoitos ou massas.
No Brasil, não existe uma lei que proíba o consumo de insetos. Semelhante aos EUA, a Anvisa tolera fragmentos microscópicos dessas criaturas que acabam sendo processadas junto a produtos industrializados, desde que não apresentem riscos à saúde do consumidor.
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