Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo na manhã desta quinta-feira (17) mirou a suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas de ônibus da capital paulista. Entre os alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), que não foi encontrado em sua residência no momento da ação.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, o professor da FGV e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani analisou o alcance e a gravidade das investigações. Segundo ele, a presença do crime organizado em serviços públicos é uma tendência que vem se consolidando há anos e que exige resposta firme das autoridades.
Infiltração no transporte público e lavagem de dinheiro
De acordo com Alcadipani, o setor de transporte público é especialmente vulnerável à atuação do crime organizado por facilitar a lavagem de dinheiro. “O ônibus é uma coisa que circula o dia todo, então é difícil você ter um controle de quantas pessoas de fato entraram”, explicou.
Ele acrescentou que peças e insumos como pneus, parafusos e óleo podem ser utilizados para criar registros fictícios, permitindo que recursos ilegais sejam convertidos em dinheiro legal por meio de transações aparentemente legítimas.
O especialista ressaltou que a infiltração não se limita ao transporte. Segundo ele, investigações anteriores já apontaram a presença do PCC em setores como saúde e secretarias de planejamento, tanto na capital quanto no interior e na Grande São Paulo. “Essa é uma tônica que há alguns anos já está se colocando”, afirmou Alcadipani.
Crime organizado e financiamento político
Um dos pontos preocupantes destacados na entrevista é o suposto financiamento de candidaturas pelo PCC. As investigações apontam indícios de que Danilo Morgado (PL), outro alvo da operação, teria recebido apoio financeiro da facção criminosa.
Alcadipani alertou que esse fenômeno é crescente e já está no radar do Judiciário, do Ministério Público e das polícias. “As autoridades estão muito preocupadas com o que está acontecendo”, declarou.
Para o especialista, a infiltração na política representa um risco estrutural, pois permite que o crime organizado acesse prefeituras e estruturas estatais para lavar dinheiro.
“A gente precisa deter a presença do crime organizado na política brasileira, porque é por meio da política que o crime organizado acaba se infiltrando dentro das prefeituras e do Estado”, afirmou Alcadipani.
Urgência no enfrentamento das facções
Alcadipani enfatizou a importância de operações como a desta quinta-feira (17) para desarticular as estruturas do crime organizado. Segundo ele, é fundamental que a Polícia Civil e o Ministério Público atuem de forma integrada e coordenada.
O especialista também mencionou que, no dia anterior, o governo dos Estados Unidos havia manifestado preocupação com a urgência de o Brasil enfrentar as facções criminosas de forma decidida.

