Com o aumento da procura de confeiteiros pelos frutos somada às perdas climáticas na safra, faz preço da caixa dobrar para até R$ 50 no maior polo produtor do país.
O sucesso do doce “morango cravejado”, que virou febre nas redes sociais, impacta também a vida no campo.
A alta demanda por frutos graúdos (tipo foundue) tem pressionado as cotações nas últimas semanas no Sul de Minas Gerais, onde se concentra o maior polo de produção do País.
Na região, a caixa com quatro bandejas de morangos graúdos de “safra nova” chegou a alcançar R$ 50 nas negociações diretas entre agricultores e compradores. O valor representa o dobro das cotações registradas poucas semanas antes, quando a mesma caixa era negociada na casa dos R$ 25.
“A confeitaria exige um padrão muito específico, que é o morango maior. O produtor colhe em média de 5 a 6 frutos graúdos para cada 50 ou 60 morangos menores. Como a demanda pelo fruto grande para o fondue e o morango cravejado disparou e a oferta dele é restrita, o preço do produto de ponta subiu fortemente”, explica o empresário Edivaldo Melo, fundador do Ceasinha do Morango em Bom Repouso (MG).
O impacto das novas tendências de consumo é sentido diretamente em Bom Repouso. A história do município com a cultura começou em 1993, quando o próprio Edivaldo Melo iniciou o cultivo experimental de apenas 10 pés de morango. Hoje, a cidade de 15 mil habitantes abriga mais de 35 milhões de plantas.
Somadas as cidades vizinhas — como Pouso Alegre, Espírito Santo do Dourado e Senador Amaral —, o cinturão produtivo do Sul de Minas já ultrapassa 70 milhões de pés de morango, consolidando a região como o principal polo produtor do Brasil, superando praças históricas como Atibaia (SP).
A tecnologia teve papel decisivo nessa transição. “O cultivo elevado e protegido, como ocorre por exemplo em Senador Amaral, onde cerca de 70% das lavouras já utilizam bancadas suspensas e estufas altas, ampliou a safra”, conta Melo.
Nas regiões montanhosas, com altitude acima dos 1.050 metros, as variedades de “dias longos” permitem colheita ininterrupta de janeiro a dezembro, ao passo que nas regiões mais baixas concentram a safra entre maio e outubro.
Para este ano, a estimativa de produção apenas para Bom Repouso varia de 35 milhões a 40 milhões de quilos. Na região a safra pode alcançar 70 milhões de quilos.
Para comercializar volumes tão expressivos Melo criou a Ceasinha do Morango, centro de comercialização, que atua como ponto de encontro diário entre produtores e compradores.
O espaço movimenta cerca de 100 mil caixas por dia nos picos de safra (cerca de 2,4 milhões de caixas/mês) e conta com câmaras frias para até 50 mil caixas, garantindo o resfriamento e a conservação do fruto antes do transporte.
A região também sedia a Feira de Tecnologia do Agronegócio do Morango, evento beneficente que reúne mais de 100 empresas de insumos, máquinas e biológicos, aproximando a inovação tecnológica da rotina dos produtores locais. A quarta edição do evento acontece entre os dias 24 e 27 de setembro em Bom Repouso.
Este ano, além do impulso de consumo da confeitaria nacional, as altas dos preços pago ao produtor em 2026 refletem também um gargalo na oferta nacional.
Um período de 15 dias consecutivos de chuva intensa e tempo fechado no encerramento da florada durante o mês de junho causou perdas estimadas em 70% na produção nacional.
Como a fruta é bastante sensível à umidade e ao mofo no pé, o volume disponível no mercado encolheu, sustentando os preços em patamares elevados. “A quebra da safra e alta demanda por morango, que responde por apenas 10% da nossa produção, tem elevado muito o preço da fruta”, diz Melo.
Segundo ele, os preços devem permanecer em altos patamares nos próximos meses.

