O conflito armado que já dura anos no Sudão provocou uma crise alimentar que se agrava rapidamente, afetando milhares de pessoas que buscaram abrigo em acampamentos carentes de recursos e serviços adequados.
Um grande número de sudaneses foi deslocado devido à guerra, o que causou uma rápida deterioração na produção agrícola e no abastecimento de alimentos.
A crise deixou muitas pessoas passando fome, especialmente grupos vulneráveis, como mulheres e crianças.
Em um campo de refugiados em Kosti, no estado do Nilo Branco, cerca de 10 mil pessoas deslocadas buscam abrigo.
Devido à falta de apoio humanitário constante, as condições de vida no local são precárias.
Com a escassez de itens básicos, como grãos, água e medicamentos, muitas famílias precisam sobreviver com a ajuda da população local.
“Desde que cheguei ao campo de refugiados, não recebi nenhuma ajuda. Não conseguimos sequer obter água potável básica aqui. A comida que trouxe comigo está quase acabando. Temos que procurar alimentos por conta própria. Mas, na maioria das vezes, o que encontramos mal dá para alimentar toda a família”, disse Aisha Alnoor, uma mulher deslocada.
A escassez prolongada de alimentos e de assistência médica básica colocou em grave risco a sobrevivência e a saúde de mulheres e crianças que vivem no campo de refugiados.
Muitas famílias enfrentam as dificuldades impostas pela fome e por doenças, e algumas crianças morreram em decorrência da desnutrição.
“Um dos meus filhos faleceu, e os outros três estão gravemente desnutridos devido à falta prolongada de alimentos. O que morreu tinha apenas 12 anos. Ele sofria de anemia e icterícia antes de falecer. Mas eu não tinha dinheiro para comprar medicamentos nem alimentos nutritivos para ajudá-lo a se recuperar”, disse Makka Hassab Alnaby, outra mulher deslocada.
O conflito também prejudicou gravemente o sistema de saúde do Sudão.
Um grande número de instalações médicas não consegue funcionar em meio a surtos recorrentes de doenças infecciosas, como cólera e sarampo.
As Nações Unidas alertaram que, se o conflito continuar ou se intensificar, a crise humanitária no Sudão se agravará ainda mais.

