O cabelo platinado chama atenção pela tonalidade clara e pelo efeito visual marcante, mas chegar a esse resultado exige um processo químico que pode deixar os fios mais frágeis e muitas vezes danificados.
Isso acontece porque, para alcançar tons muito claros, é necessário remover parte dos pigmentos naturais do cabelo por meio da descoloração, procedimento que pode alterar a estrutura da fibra capilar.
Por isso, manter o platinado bonito vai além de retocar a raiz. A rotina de cuidados precisa considerar tanto a conservação da cor quanto a recuperação dos fios após a química.
Descoloração exige muito cuidado
O fio de cabelo é composto por três camadas: a cutícula, semelhante a escamas de peixe; a intermediária, conhecida como córtex, que é responsável pela sustentação; e a medula, a camada mais interna da fibra capilar, encontrada no centro do fio.
Para atingir a tonalidade platinada, é necessário o uso de água oxigenada para abrir a cutícula e pó descolorante, que extrai o pigmento de cor dos fios. Combinação que danifica os cabelos.
“O processo de remover o pigmento colorido é extremamente agressivo para a fibra capilar, pois vai desidratar o fio, lesar a cutícula e eliminar nutrientes e aminoácidos. O resultado negativo é um cabelo poroso, ressecado, com aumento de frizz, sem maleabilidade e cada vez mais fragilizado com as mudanças recorrentes de temperatura, poluição e os componentes químicos de xampus e condicionadores que podem até amarelar os fios”, explica a tricologista e biomédica Sheila Bellotti.
Por isso, quanto mais intenso o clareamento, maior é a necessidade de cuidados específicos.
Segundo especialistas, o primeiro passo para reduzir os danos é avaliar as condições do cabelo antes de realizar novos procedimentos químicos. Fios que já estão muito sensibilizados podem não suportar uma nova descoloração, e insistir no processo pode aumentar o risco de quebra.
Depois da transformação, o intervalo entre os procedimentos também é importante. O retoque deve ser feito de acordo com o crescimento da raiz e com a avaliação profissional, evitando aplicar descolorante repetidamente em áreas que já passaram pela química.
“Se o fio apresenta quebra, elasticidade excessiva quando molhado, textura muito áspera, perda de resistência, pontas extremamente fragilizadas ou dificuldade de manter o comprimento, são sinais de que insistir na química pode não ser uma boa escolha naquele momento. E existe uma questão importante que muitas pessoas esquecem: a fibra capilar que já sofreu um dano estrutural importante não se regenera biologicamente como a pele”, explica Regina Carralero, especialista em saúde capilar e tricologista.
Cuidando dos fios
A reconstrução é uma etapa importante para quem está com os fios danificados, mas não significa que o cabelo platinado precise receber apenas produtos reconstrutores.
A fibra capilar também precisa de água e lipídios para manter a maleabilidade e reduzir a sensação de ressecamento. Por isso, uma rotina equilibrada pode combinar hidratação, nutrição e reconstrução, de acordo com a necessidade dos fios.
A hidratação ajuda a melhorar a retenção de água e a maciez. A nutrição repõe componentes lipídicos e pode contribuir para reduzir o aspecto áspero. Já a reconstrução busca melhorar a resistência da fibra, principalmente quando há sinais de dano provocado por processos químicos.
O excesso de produtos reconstrutores, porém, também não é indicado. A frequência deve levar em conta o estado do cabelo e as orientações de um profissional.
“Um dos tratamentos mais importantes é a hidratação profunda, que ajuda a repor a água perdida pelos fios. No combate ao ressecamento, aposte nas máscaras de hidratação profunda, pelo menos uma vez por semana, intercalando com máscaras nutritivas e reconstrutoras, conforme a necessidade. Boas indicações são com ingredientes ricos em ativos como aloe vera, pantenol, glicerina, ácido hialurônico, que devolve a maciez e o brilho, além de glicerina e manteiga de karité, que auxiliam na umectação”, detalha Bellotti.
Água quente e fontes de calor podem piorar o ressecamento
Outro ponto importante é a temperatura da água. Banhos muito quentes podem contribuir para o ressecamento e deixar os fios mais ásperos. Preferir água morna ou fria ajuda a preservá-los.
O uso frequente de secador, chapinha e modeladores também merece atenção. O calor excessivo pode aumentar a perda de água da fibra e agravar a fragilidade dos fios que já passaram por descoloração.
“O uso frequente de chapinha e outras ferramentas em temperaturas muito altas pode intensificar a perda de água e aumentar o dano à fibra, principalmente quando não há proteção térmica adequada. O secador também exige cuidado, mas não precisa ser considerado um vilão. Distância adequada, temperatura moderada e proteção térmica fazem muita diferença. Água excessivamente quente pode contribuir para o ressecamento, enquanto a exposição solar frequente pode favorecer alterações na fibra e também interferir na manutenção da cor”, detalha Carralero.
Como preservar o tom platinado
A manutenção da cor envolve também o combate ao amarelamento, comum em cabelos muito claros. Para isso, existem produtos matizadores, como shampoos e máscaras com pigmentos violeta ou azul, que podem neutralizar reflexos indesejados.
Esses produtos, no entanto, não devem ser usados indiscriminadamente. A frequência depende da tonalidade desejada e da resposta do cabelo. O uso excessivo pode alterar a cor ou deixar o resultado irregular.
“Alguns shampoos matizadores podem deixar a fibra mais ressecada. Por isso, eles devem ser utilizados como uma ferramenta para manutenção da cor e não como substitutos dos tratamentos destinados à saúde e à qualidade do fio”, explica Carralero.
Além disso, a lavagem frequente pode acelerar o desbotamento de alguns tons. O ideal é escolher produtos formulados para cabelos coloridos ou quimicamente tratados e ajustar a frequência das lavagens às características do couro cabeludo.

