A Blau Farmacêutica avalia fazer um follow-on para elevar o número de ações em circulação e aumentar a liquidez dos papéis. A empresa aguarda uma melhora no mercado de capitais, que pode levar a uma valorização dos papéis para realizar a operação, disse o diretor-presidente da companhia Marcelo Hahn durante entrevista ao Capital Insights, programa produzido pela parceria entre a Broadcast e o CNN Money.
Segundo executivo, a empresa tem até o final de 2027 para ir ao mercado. A Blau chegou ao mercado de capitais em 2021 com uma autorização especial que permitiu um free float inferior ao exigido à época. Atualmente, cerca de 17,5% das ações estão em circulação, abaixo dos 20% previstos pela regulação atual.
O prazo para a companhia cumprir a exigência terminaria em 31 de dezembro deste ano, mas a Blau solicitou em agosto à B3 a renovação do waiver, que foi concedida automaticamente por mais um ano.
Hahn afirmou que a companhia está aberta à realização do follow-on, mas considera necessário primeiro melhorar a percepção do mercado sobre o valor da ação. Segundo ele, a baixa liquidez dificulta não apenas a entrada de investidores, mas também eventuais operações de fusão e aquisição em que a Blau poderia utilizar seus próprios papéis como moeda de troca.
Hahn atribui parte da desvalorização dos papéis às condições macroeconômicas desde o IPO, especialmente à alta dos juros e à saída de investidores estrangeiros. Ele afirmou que a base inicial de acionistas tinha forte participação de estrangeiros e que hoje há poucos investidores internacionais.
Em reuniões recentes com fundos na Inglaterra, segundo o executivo, a companhia ouviu que a situação macroeconômica brasileira e a expectativa em relação às eleições estão entre os fatores que influenciam as decisões de investimento em mercados emergentes. A baixa liquidez da ação também é apontada pelos investidores como um problema.
O executivo disse que bancos têm procurado a Blau tanto para estruturar um follow-on quanto para discutir alternativas de fechamento de capital, mas descartou esta última possibilidade. Segundo Hahn, a intenção da família é manter a companhia no mercado de capitais e utilizar a estrutura acionária como instrumento para garantir a perpetuidade do negócio.
Ele afirmou ainda que, independentemente da operação escolhida, não pretende vender suas ações. Para ele, a prioridade é recuperar o valor dos papéis antes de utilizá-los em uma eventual aquisição ou outra operação societária.
A companhia aposta que a melhora dos resultados e a evolução do pipeline podem contribuir para essa recuperação. Hahn citou mais de 30 produtos submetidos à Anvisa, a expansão das exportações na América Latina e, principalmente, o desenvolvimento do biossimilar do pembrolizumabe como fatores de crescimento.
Segundo o executivo, o medicamento pode praticamente dobrar a receita da Blau quando chegar ao mercado. A empresa pretende iniciar ainda neste ano os estudos clínicos em nove países e concluí-los no fim de 2027. Com a valorização das ações, Han afirmou que a Blau poderá voltar a utilizar os papéis em operações de mercado, inclusive em potenciais movimentos de fusões e aquisições.

