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Uefa caminha para encontrar rival viável a Infantino, diz vice-presidente

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Uefa caminha para encontrar rival viável a Infantino, diz vice-presidente

A Uefa continua no caminho para encontrar um adversário viável ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, e não permitiu que a campanha por mudanças se transformasse em mero desejo sem perspectivas concretas, disse, nesta quarta-feira (16), a vice-presidente da entidade europeia, Laura McAllister.

McAllister contou que o candidato para a eleição de março não precisa ser europeu, mas deve ser capaz de derrotar Infantino, unir as confederações de futebol e promover uma reforma duradoura na governança.

Em entrevista à Reuters durante a Cúpula Mundial do Futebol, em Madri, após a reunião do Comitê Executivo da Uefa em Tessalônica, a executiva rejeitou as sugestões de que a oposição a Infantino teria perdido força, apesar de o presidente da Fifa parecer manter apoio suficiente para conquistar mais um mandato.

Os esforços da Uefa não visavam colocar uma figura europeia para liderar uma rebelião, disse McAllister, mas, sim, angariar apoio para um candidato com um programa de reformas claro.

“Não acho”, disse McAllister quando questionada se os oponentes de Infantino haviam superestimado o dano à autoridade do presidente da Fifa.

“Sempre soubemos que as coisas não mudariam da noite para o dia. Isso seria ingênuo. Sabíamos que haveria resistência à mudança também, é claro. Estamos avançando passo a passo, tanto no plano jurídico quanto no contexto político, com um candidato alternativo, e também no que diz respeito ao programa de reformas de governança que precisamos ver.”

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Uefa “unida e muito coordenada”

O suíço-italiano Infantino, de 56 anos, enfrentou o maior desafio à presidência após o fracasso da proposta de vender uma participação de até 20% nas competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados.

O plano gerou forte oposição, com a Uefa, a AFC e a Concacaf entre as entidades que clamavam por mudanças na liderança da Fifa. Várias federações nacionais europeias retiraram, desde então, apoio à reeleição de Infantino, sendo a Grécia a mais recente a tomar essa decisão.

McAllister afirmou que os países da Uefa permanecem “unidos e muito coesos” na determinação de mudar a forma como a Fifa é governada, mas ressaltou que a disputa vai além de Infantino.

“Isso sempre foi uma questão que ia além de uma única pessoa”, disse.

McAllister contou que a Uefa vem trabalhando discretamente em várias frentes e considera a plataforma de reforma mais importante do que a identidade ou a nacionalidade do eventual candidato.

“Há muitos aspectos em qualquer campanha para mudar algo”, afirmou.

“Há táticas que precisam ser seguidas, mas sinto-me muito tranquila por estarmos no caminho certo, pois tentaremos encontrar um candidato capaz de unir todas as confederações, porque não se trata apenas da Uefa; todas as confederações acreditam firmemente na necessidade de mudança. E esse candidato se apresentaria então com um manifesto de reforma e modernização.”

Infantino anunciou que buscará outro mandato nas eleições de março. McAllister disse que os adversários devem encontrar um candidato capaz de fazer mais do que apenas apresentar um desafio simbólico.

“Se você está em uma situação em que sabe que o atual presidente vai se candidatar novamente, e Gianni Infantino deixou claro que será candidato nas eleições, a menos que algo mude até março do ano que vem, então cabe àqueles que se opõem a ele encontrar o candidato certo”, avisa.

“Não se disputa uma eleição a menos que se possa vencê-la.”

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Uefa não insiste em candidato europeu

McAllister disse que a Uefa não insistiria em um candidato europeu caso surgisse um candidato crível à reforma proveniente de outra confederação.

“Trata-se do programa de mudanças, e acho que precisamos acertar isso primeiro”, avaliou.

“Precisamos ter um modelo realmente claro de como deve ser a boa governança no futebol mundial, e não é o que temos visto na Fifa nos últimos anos.”

McAllister disse que o programa de reforma deve incluir maior prestação de contas e transparência, reconhecimento adequado de conflitos de interesse, proteção mais forte aos denunciantes e uma liderança mais diversificada.

Questionada se a Uefa poderia manter uma relação de trabalho com Infantino caso ele fosse reeleito, McAllister disse que o futebol europeu continuaria sendo uma força poderosa no futebol mundial, mas que a liderança da Fifa deveria aprender com o que aconteceu.

“Isso não é tanto um problema nosso, mas sim dele”, destacou ela quando questionada sobre o que Infantino teria que fazer para restaurar a confiança da Uefa.

“Se ele fosse eleito, seria de se esperar que tivesse aprendido as lições de um período que o esporte considerou uma verdadeira crise existencial.”

Nem a Fifa nem Infantino responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

McAllister disse que a Uefa se concentraria em defender a reforma, em vez de olhar muito à frente antes da abertura das inscrições.

“A prioridade para nós agora deve ser convencer o mundo do futebol de que ele pertence a eles”, disse ela, “mas que precisamos de uma mudança cultural na forma como o esporte é governado.”

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