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Super El Niño aumenta de intensidade e deve dividir o Brasil entre chuva recorde e seca

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Super El Niño aumenta de intensidade e deve dividir o Brasil entre chuva recorde e seca

O evento climático El Niño já está impactando o Brasil e o cenário tende a piorar nos próximos meses, quando o fenômeno alcançará seu ápice. No entanto, os efeitos não serão os mesmos em todas as regiões do país.

Enquanto algumas áreas sofrerão com chuvas fortes, outras serão atingidas pela grande seca, segundo informações divulgadas no boletim desta quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo, organização que debate sobre mudanças do clima.

A região norte do país já predomina com calor intenso e seca. Em Roraima, por exemplo, o Serviço Geológico do Brasil vê uma chance muito pequena de recuperação do Rio Branco nos próximos meses. Em julho e agosto, choveu apenas 45% do esperado na bacia. Em diversas regiões, o rio está perto das mínimas históricas.

Segundo o Inmet, esse cenário deve permanecer no Norte e no Nordeste do país até novembro.

No Nordeste, o déficit de água no solo deve marcar 150 mm no Ceará, no centro-norte do Piauí e no oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.

Já no Sudeste, essa perspectiva muda. A chuva permanecerá acima da média em São Paulo, com temporais isolados no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Mas as atenções se voltarão ao Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, que será o mais afetado por temporais. A previsão é que o nível de água no solo gaúcho se exceda em 150 mm de água em outubro.

Impactos até o momento

Uma anomalia já foi registrada na segunda-feira (14) na região central do pacífico, quando a temperatura chegou ao +2°C, após passar meses estacionado em +1,8 C. Segundo o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) a probabilidade de uma ocorrência “muito forte” nos próximos trimestres de outono/inverno no Hemisfério Norte é de 90%, quando o fenômeno atingirá 3,4 °C.

No mesmo dia em que esse episódio foi registrado, São Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, bateram recorde com um dos setembros mais chuvosos dos últimos anos. Além do recorte histórico, os temporais causaram estragos em diversas regiões do estado paulista, deixando dois mortos e uma pessoa desaparecida. A cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou completamente embaixo d’água.

O impacto também atingiu a região Sul. No Paraná, mais de 21 mil pessoas foram afetadas com fortes chuvas.

O que é um El Niño?

O El Niño acontece quando há um aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas. Todo esse processo afeta o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país, que vão desde excesso de chuva e alagamentos até secas intensas e falta de água nos reservatórios.

Mapa ilustrativa de Super El Niño
Mapa ilustrativa de Super El Niño • IA/Gemini

Normalmente, os ventos no Pacífico sopram de leste para oeste, ou seja, da América em direção à Oceania e à Indonésia. Isso faz com que as águas mais quentes sejam deslocadas por essas correntes de ar, mantendo as áreas próximas à América do Sul com águas mais frias.

O fenômeno altera o equilíbrio entre ventos, pressão e umidade devido ao aumento da temperatura no Oceano Pacífico. Quando isso acontece, há aumento na evaporação, os ventos ficam mais fracos e a água quente que normalmente fica próxima à Oceania se espalha, aquecendo as águas próximas à América do Sul, que são geralmente mais frias. Isso causa desequilíbrios com consequências em escala global.

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