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Prefeitura de Macapá empregou ligados à facção criminosa entre 2021 e 2026

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Prefeitura de Macapá empregou ligados à facção criminosa entre 2021 e 2026

A Prefeitura de Macapá empregou pessoas apontadas como membros da facção criminosa conhecida como FTA (Família Terror do Amapá), ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), entre 2021 e 2026. É o que revelam as investigações da Polícia Civil às quais a CNN Brasil teve acesso.

Ainda de acordo com investigadores, as contratações ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan, o Dr. Furlan, hoje candidato ao governo do Amapá pelo PSD.

Ao menos 12 pessoas foram formalmente contratadas e/ou nomeadas para cargos na gestão municipal de Macapá.

Uma fonte a par da investigação afirmou à CNN Brasil que 11 delas são integrantes da FTA e uma é integrante do Comando Vermelho. A maioria também tem relação com o tráfico de drogas.

Para a Polícia Civil, as contratações indicam a infiltração do crime organizado no poder público macapaense. “Uma engrenagem transformou contracheques públicos e cargos de confiança na moeda de troca de um pacto por currais eleitorais na capital”, afirma a corporação.

Segundo a investigação, os personagens centrais do caso “transitaram livremente entre o submundo do crime e os gabinetes do poder municipal”, e “a presença de criminosos na folha de pagamento do município não foi fruto de falha burocrática ou descuido administrativo isolado”.

Em nota, Dr. Furlan afirmou à CNN que “jamais manteve qualquer relação com organização criminosa” e que é alvo de perseguição política por liderar as pesquisas de intenção de voto.

Segundo o ex-prefeito, todas as nomeações seguiram os procedimentos legais, incluindo a apresentação das certidões exigidas. Parte dos cargos de confiança, diz a nota, foi preenchida por indicação de vereadores, deputados e outras lideranças. Dr. Furlan também afirma que o delegado Estefano da Silva Santos, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP), declarou publicamente que as investigações da unidade não apontam indício que o relacione a facções.

Os citados

Entre os casos citados na investigação está o de Jesaias Silva e Silva, que comandou a Subsecretaria de Zeladoria entre 2022 e 2024. Ele foi preso pela Polícia Federal em 2024, na Operação Herodes, sob suspeita de articulação eleitoral armada, e cumpre prisão preventiva.

Também aparece Amanda Camila Pimentel, apontada pela Polícia Civil como uma liderança histórica da FTA, que manteve vínculo formal com a prefeitura entre 2023 e 2025 e hoje está presa. Na área da saúde, Valdilene Viegas da Silva, presa por tráfico nas operações Narke III e Labirinto de Creta, foi admitida como assistente social na Secretaria Municipal de Saúde em 2025.

A polícia também investiga vínculos que não aparecem nos registros oficiais. Benedita de Nazaré Gomes Batista, apontada como uma das responsáveis pela “sintonia feminina” da FTA, consta de uma lista de pagamentos da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMAC) de dezembro de 2025.

Segundo a investigação, porém, ela não aparece nos cadastros de servidores do município, o que, para a corporação, “suscita questionamentos sobre a efetiva prestação de serviços, a regularidade do vínculo administrativo e a legalidade da remuneração recebida”.

Outro caso que é alvo dos investigadores é o de Magda Steffani Costa dos Santos, condenada por tráfico e apontada pela Polícia Civil como operadora financeira da facção.

Ela é casada com Tiago Pantoja Borges, o “Espeta”, apontado como uma das principais lideranças da FTA.

Em audiência judicial obtida pela CNN Brasil, Magda afirmou ter contrato com a prefeitura. A investigação ainda não identificou a função que ela exerceria. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, isso ocorre porque a nomeação não foi publicada no Diário Oficial. Magda responde a ação penal por suspeita de lavagem de dinheiro.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos citados e aguarda retorno da Prefeitura de Macapá. O espaço segue aberto para manifestação.

Leia a íntegra da nota de Dr. Furlan:

“Nota de esclarecimento

Dr. Furlan é candidato ao Governo do Amapá e lidera as pesquisas de intenção de voto. Nesse cenário, tem sido alvo de perseguição política e de sucessivas tentativas de atingir sua candidatura.

Todas as nomeações realizadas durante sua gestão à frente da Prefeitura de Macapá observaram os procedimentos legais e administrativos exigidos para o ingresso no serviço público, incluindo a apresentação da documentação e das certidões previstas para cada modalidade de vínculo.

Em uma administração pública formada por milhares de servidores, não é possível ao chefe do Executivo conhecer aspectos da vida pessoal de cada pessoa que integra seus quadros, sobretudo quando não há impedimento formal apresentado no processo de habilitação. Parte das nomeações para cargos de confiança também decorreu de indicações políticas apresentadas por vereadores, deputados e outras lideranças, sempre condicionadas ao cumprimento das exigências legais para a investidura no cargo.

É importante registrar que o delegado Estefano da Silva Santos, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP), declarou publicamente que as investigações conduzidas pela unidade não apontam qualquer indício que relacione Dr. Furlan a facções criminosas. O delegado também contestou a forma como declarações suas foram reproduzidas pela imprensa.

Dr. Furlan afirma que jamais manteve qualquer relação com organização criminosa e que não compactua com qualquer prática ilícita.”