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Golpistas utilizam do medo para convencer vítimas; saiba como se proteger

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Golpistas utilizam do medo para convencer vítimas; saiba como se proteger

Uma das principais estratégias utilizadas por golpistas para atrair vítimas é explorar sentimentos de medo, urgência, ganância ou curiosidade dessas pessoas.

Essa dinâmica foi captada por investigadores da DCCiber (Divisão de Crimes Cibernéticos), da Polícia Civil de São Paulo, que traçaram as principais características adotadas por criminosos na hora de aplicar golpes.

De acordo com os investigadores, a estrutura criminosa é organizada e roteirizada com respostas baseadas em formas de convencer a pessoa sobre determinada prática, seja algum serviço ou mesmo um falso sequestro.

Antes de realizar as fraudes, que têm como objetivo unânime o alvo financeiro, os golpistas possuem listas com nomes e dados dos alvos. Ou seja, eles sabem com quem estão conversando. E, por isso, montam roteiros de conversas adaptados para cada vítima com o intuito de praticar o estelionato.

As principais vítimas são aquelas que têm pressa para resolver um problema, medo de perder alguma oportunidade ou mesmo vontade de ganhar dinheiro fácil, explica o delegado Paulo Barbosa.

Métodos sofisticados

O delegado diz que os métodos estão cada vez mais sofisticados para enganar as vítimas: um link falso capaz de extrair os seus dados bancários e sensíveis ou o uso de vozes hiper-realistas criadas por IA (Inteligência Artificial) de familiares supostamente em perigo.

Um brasileiro adulto foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026, segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, publicado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA).

No total, foram cerca de 34 bilhões de abordagens que resultaram em 16,5 milhões de pessoas com perda de dinheiro e R$ 21,2 bilhões de prejuízos. Isso representa uma média de R$ 1.287 desviado por pessoa – 79,3% de um salário mínimo cotado em 2026.

Dados da Diciber (Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos) da Polícia Federal mostram que São Paulo lidera o estado com mais operações relacionadas a crime cibernéticos. De janeiro de 2023 a agosto de 2026, já foram realizadas 96 ações policiais contra esse tipo de delito.

De acordo com Barbosa, houve um aumento de ocorrências relacionadas a golpes digitais devido ao crescimento do uso de IA, que permitiu que criminosos criem uma realidade falsificada. “Essa tecnologia permite que os criminosos criem uma atmosfera falsa, então eles exploram emoções de medo, vantagem e perigo iminente, fazendo com que a pessoa faça tudo no automático”, afirma o delegado.

Tipos de golpes

A investigação também aponta para os golpes sazonais, que são realizados de acordo com alguma data de conhecimento nacional. Na “Black Friday”, realizada na última sexta-feira de novembro, quando os produtos ficam com preços abaixo do normal, os sites de comércio eletrônico falsos aproveitam a onda de compra dos brasileiros.

Outra fraude muito utilizada pelos golpistas é a criação de uma falsa central bancária, onde criminosos se passam por gerentes de agências e entram em contato com os clientes para falar sobre supostas compras. Nesse momento, as vítimas passam dados, dão acesso à conta bancária e são furtadas rapidamente.

As redes sociais também não ficaram de fora. Os golpes online estão usando fotos de pessoas conhecidas em aplicativos de mensagem para pedir dinheiro.

O relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026” apontou que, em 2025, o WhatsApp representou 64% dos canais utilizados para realizar as fraudes financeiras. Em seguida, estavam o Gmail, com 32%, e o Instagram, com 22%.

Se acalme antes de cair no golpe

A polícia alerta que, além de utilizar a técnica de explorar os sentimentos das vítimas, os criminosos também se aproveitam da rotina corrida para influenciar os alvos a agirem no automático, sem pensar. Por isso, Barbosa orienta a desconfiar da ação antes de fazer qualquer coisa.

  • Quando houver algum pedido suspeito, a primeira coisa a se fazer é interromper o contato e tentar confirmar a informação que foi dada;
  • Se alguém se passar por um familiar, desligue e ligue diretamente para o número já conhecido da pessoa;
  • Em casos que envolvam bancos, entre em contato direto com canais oficiais da instituição e tente confirmar a informação pessoalmente em uma agência.

E se eu caí no golpe, o que eu faço?

Se ocorrer a fraude, o importante é ser rápido. Entre em contato com o banco e peça pelo bloqueio de movimentações. No caso de transferências via Pix, solicite o Med (Mecanismo Especial de Devolução).

Outro alerta é guardar todas as provas que tiver do contato com um golpista: prints, conversas, mensagens e fotos. Esses dados podem ajudar a Polícia Civil na investigação.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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