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“Feito Pipa” será o representante do Brasil no Oscar 2027

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“Feito Pipa” será o representante do Brasil no Oscar 2027

“Feito Pipa”, de Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16).

Ao todo, 15 longas-metragens foram inscritos e habilitados para concorrer à vaga, seis pré-selecionados e um escolhido. Os indicados ao Oscar serão anunciados no dia 21 de janeiro de 2027. Já a cerimônia está marcada para 14 de março.

Como é feita a escolha da Academia Brasileira de Cinema?

A Academia Brasileira de Cinema forma a Comissão de Seleção, responsável por escolher o filme brasileiro para concorrer a uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. O comitê é composto por 15 membros titulares, todos profissionais da indústria cinematográfica do Brasil.

Mudança na categoria de Melhor Filme Internacional

A partir da edição de 2027, há duas maneiras de receber uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar: sendo indicado pelo país ou vencendo um dos principais festivais do mundo (Berlim, Busan, Cannes, Sundance, Toronto e Veneza). Até então, só era possível com a indicação do país.

Além disso, o crédito da indicação e do prêmio também vai mudar. O indicado passa a ser o filme em si, não o país. O prêmio será aceito pelo diretor em nome da equipe criativa, e o nome do diretor constará na placa da estatueta após o título. Antes, o envelope e a estatueta vinham com o nome do país, como foi com “Ainda Estou Aqui”.

As demais categorias não dependem da indicação do país e podem ser inscritas por estúdios ou produtores, seguindo os critérios de elegibilidade da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.

Quais as chances do Brasil no Oscar?

Nos últimos dois anos, o Brasil fez história no Oscar com Ainda Estou Aqui e “O Agente Secreto”. Enquanto o primeiro venceu a estatueta de Melhor Filme Internacional em 2025, o longa de Kleber Mendonça Filho se tornou o filme brasileiro mais indicado na história da premiação, disputando quatro categorias.

O cinema nacional chega à nova disputa com maior visibilidade internacional após as últimas duas temporadas. Para Mariane Morisawa, jornalista integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), esse histórico pode favorecer o próximo representante.

“Ter dois filmes em sequência que fizeram tanto barulho na campanha como um todo, conseguiram muitas indicações, ganharam Globo de Ouro, Oscar e muitos outros prêmios ao longo do caminho, claro, faz as pessoas pensarem: ‘Nossa, acho que tem alguma coisa acontecendo no Brasil, no cinema brasileiro'”, argumentou.

“Quando aparece um filme e as pessoas descobrem que ele é do Brasil, já não será algo tão ‘estrangeiro’, entre aspas, ou tão sem referência quanto era antes para muitas pessoas”, acrescentou.

Já Paula Jacob, crítica, professora e pesquisadora de cinema, mestre em Semiótica e especialista em Semiótica Psicanalítica pela PUC-SP, acredita que essa visibilidade não é suficiente para garantir espaço entre os indicados. Para ela, os resultados das temporadas anteriores não representam necessariamente uma vantagem para o escolhido de 2027.

“Acho que a gente teve uma sorte de contar com dois filmes muito expressivos internacionalmente, presentes em festivais internacionais importantes, como os festivais de Cannes e de Veneza. Mas, neste ano, os filmes que tiveram uma expressão maior estão em festivais menos expressivos”, disse.

A escolha da Academia Brasileira de Cinema é apenas o primeiro passo de uma campanha que envolve muito mais do que a qualidade artística do longa. Passagens por festivais de prestígio, prêmios internacionais, acordos de distribuição e capacidade financeira para promover o filme entre os votantes podem influenciar diretamente nas chances brasileiras.

Manter o longa em evidência e fazê-lo circular no cenário internacional durante os próximos meses pode ser determinante para chegar à lista de indicados. Entre as estratégias apontadas pelas especialistas estão: uma distribuidora internacional forte, lançamento em mercados estratégicos, sessões para votantes, presença dos realizadores em festivais e eventos, entrevistas e repercussão na imprensa estrangeira.

Moraisawa citou “Ainda Estou Aqui” como exemplo de uma campanha que reuniu diversos elementos favoráveis: um diretor conhecido internacionalmente, Walter Salles; um prêmio de roteiro em Veneza; presença em festivais ao longo do segundo semestre; e distribuição da Sony Pictures Classics nos Estados Unidos.

Ela também mencionou a estrutura montada para “O Agente Secreto”, que chegou à temporada respaldado por premiações em Cannes e por distribuidoras internacionais.

Segundo Morisawa, uma campanha competitiva pode envolver cifras milionárias, usadas para manter o filme visível diante dos integrantes da indústria ao longo de vários meses. “Tudo é pago. É preciso produzir material, colocar o filme nas plataformas, organizar sessões em Los Angeles, Nova York e na Europa, além de viajar para festivais. É muita coisa e muito dinheiro envolvido”, explicou.

Paula Jacob também citou que a disputa depende de uma combinação entre distribuição e marketing.

“É preciso que acordos de distribuição sejam feitos internacionalmente para que esses filmes cheguem ao público a que precisam chegar, às pessoas a quem precisam chegar, e façam um barulho internacional”, afirma.

A pesquisadora lembra que uma campanha não se limita à presença do longa nas salas de cinema. Entrevistas, reportagens na imprensa internacional, eventos e aparições dos profissionais envolvidos na produção ajudam a manter o título em circulação durante a temporada.

*Com informações de Larissa Bittencourt