Belarus concordou em libertar 25 prisioneiros em troca de um novo alívio das sanções dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira (16) um enviado do presidente Donald Trump.
O acordo fez parte de longas negociações nas quais Washington pressiona o presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, a libertar centenas de pessoas, incluindo ativistas de direitos humanos, ativistas políticos, jornalistas e advogados, em troca do alívio das sanções e de uma redução do seu isolamento internacional.
O enviado de Trump, John Coale, disse a repórteres em Minsk, capital de Belarus: “Concordamos com um acordo provisório e, como demonstração de boa vontade, Belarus libertará 25 pessoas e, em troca, os Estados Unidos suspenderão as sanções contra duas empresas.”
O número de 25 era muito inferior aos 250 que Coale convenceu Lukashenko a libertar quando visitou Minsk pela última vez, em março.
O americano afirmou que ambos os lados trabalhariam para resolver as questões pendentes, a fim de abrir caminho para a libertação de mais um prisioneiro e a remoção de novas sanções.
“Continuaremos a melhorar as relações entre os EUA e Belarus e estamos trabalhando para garantir a libertação de mais pessoas em um futuro muito próximo. Ainda não terminamos!”, publicou ele mais tarde no X.
O grupo bielorrusso de direitos humanos Viasna afirmou que uma nova rodada de indultos para prisioneiros havia começado e que os familiares de alguns detentos foram informados de que poderiam buscar seus entes queridos nas colônias penais na manhã de quarta-feira.
Lukashenko nega ter substituído alguns prisioneiros por outros
A agência de notícias Viasna, proibida em Belarus, afirma que o antigo estado soviético ainda mantém mais de 900 presos políticos, mesmo depois de Coale ter negociado a libertação de centenas deles desde meados do ano passado.
Entre as acusações mais frequentes contra eles estão atividades “extremistas”, conspiração para tomar o poder, incitação ao ódio ou insulto ao presidente.
Nas negociações de terça-feira (15) com Coale, Lukashenko negou que as pessoas em questão fossem prisioneiros políticos e rejeitou as afirmações de grupos de direitos humanos e da oposição exilada de que ele estaria prendendo cada vez mais pessoas para substituir aquelas que liberta.
As duas empresas que serão retiradas das sanções americanas são a Lakokraska, fabricante de tintas e revestimentos industriais, e a Bellesbumprom, uma empresa industrial estatal que supervisiona os setores florestal, de celulose e papel. As sanções contra elas estavam em vigor desde 2008 e 2023, respectivamente.
Na terça-feira, Coale também prometeu a Lukashenko que faria com que os bancos americanos devolvessem dezenas de milhões de dólares em ativos bielorrussos congelados.
Os esforços de Coale desde o ano passado levaram à libertação, entre muitos outros, do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Ales Bialiatski, e de importantes figuras da oposição. Sua diplomacia lhe rendeu a gratidão de muitos bielorrussos, embora também tenha gerado preocupações.
“Devemos aproveitar todas as oportunidades para salvar vidas. Mas não devemos confundir libertações com mudanças políticas. A repressão continua e Lukashenko continua apoiando a guerra da Rússia (na Ucrânia)”, disse a líder da oposição exilada, Sviatlana Tsikhanouskaya, em declarações à Reuters na terça-feira.
“O objetivo deveria ser esvaziar as prisões, não reabilitar a ditadura.”

