A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, nesta quarta-feira (16), um projeto de lei abrangente de sanções e tarifas destinado a aumentar a pressão econômica sobre a Rússia devido à sua invasão da Ucrânia, enviando a medida ao presidente Donald Trump para sanção.
O projeto, agora denominado “Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026” em homenagem ao republicano da Carolina do Sul, que defendeu a medida, foi aprovado pelo Senado no mês passado.
A Câmara aprovou a medida por 262 votos a 159, com dezenas de democratas rompendo com a liderança do partido para se juntar à maioria dos republicanos a favor da proposta.
A legislação tem como alvo os setores de energia e defesa da Rússia, bem como sua “frota fantasma” de navios-tanque que burlam as sanções existentes.
A proposta enfrentou resistência por também autorizar Trump a impor tarifas elevadas à China, à Índia e a outros países para reduzir a dependência deles em relação ao petróleo e gás russos, além de ampliar as sanções contra o Irã.
A legislação enfrentou oposição considerável desde que Graham e dezenas de outros senadores a apresentaram em abril de 2025. Trump só permitiu que os líderes republicanos do Congresso agendassem uma votação em julho de 2026 — dias antes da morte repentina de Graham, em 11 de julho.
A Rússia iniciou sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, e os dois lados travam, desde então, a guerra mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump tem preferido, de modo geral, manter o controle sobre tarifas e sanções — ferramentas centrais de sua política externa — em vez de trabalhar com o Congresso na elaboração de leis.
A lei Graham foi aprovada pelo Senado no mês passado por 86 votos a 11, com forte apoio bipartidário, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reuniu-se com legisladores para defender sua aprovação e tomou a atitude incomum de acompanhar uma votação processual inicial de um assento no plenário.
Zelensky defende aprovação enquanto guerra se prolonga
Zelensky reiterou seu apoio ao projeto de lei em um discurso nesta semana, afirmando ser “importante que ele se torne lei. Agradeço a todos ao redor do mundo que apoiam essa abordagem e que sabem que a força funciona”.
Moscou e a Ucrânia têm trocado ataques nos últimos meses contra infraestruturas e outros alvos econômicos, visando prejudicar o esforço de guerra de cada lado e abalar o moral. Na quarta-feira, drones russos atingiram um ônibus de passageiros e um trem no sul da Ucrânia, matando cinco pessoas.
O projeto de lei enfrentou a oposição de democratas da Câmara, que afirmaram que ele concede a Trump poderes tarifários excessivos, os quais ele poderia utilizar contra aliados dos EUA. Eles argumentam que Trump já dispõe da autoridade necessária para impor sanções à Rússia, mas optou por não fazê-lo.
Afirmam também que o projeto facilita excessivamente a decisão de Trump de não impor sanções, bastando declarar que tal medida não atende ao interesse nacional.
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, declarou na quarta-feira que a legislação continha brechas demais para garantir a aplicação de sanções que prejudicassem a Rússia, ao mesmo tempo em que ampliava os poderes tarifários de Trump.
“O que esta legislação fará é conceder a Donald Trump, talvez, autoridade irrestrita para impor tarifas ao povo americano”, disse ele.
Alguns republicanos manifestaram preocupação com possíveis repercussões políticas negativas decorrentes de novas tarifas e do provável aumento de preços para o consumidor antes das eleições de meio de mandato de novembro — pleito no qual as pesquisas indicam que o partido enfrenta dificuldades para manter o controle da Câmara.
Os defensores da medida afirmaram que o projeto enviará uma mensagem essencial à Rússia — e ao mundo — de que Washington continua apoiando a Ucrânia.
“Não são frequentes, no Congresso, votações como esta, que impactam conflitos geopolíticos globais”, disse durante o debate o deputado republicano Michael McCaul, do Texas, um dos principais autores do projeto.
“Esta legislação terá um impacto direto no conflito que ameaça o Leste Europeu e a própria Otan, podendo levar a um desfecho que traga (o presidente russo Vladimir) Putin para a mesa de negociações”, afirmou McCaul.

