Autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos ocorridos após a morte de Mahsa Amini, afirmou a Anistia Internacional nesta quarta-feira (16).
A morte, há quatro anos, de Amini — uma curda de 22 anos detida pela polícia da moralidade do Irã por supostamente desrespeitar o código de vestimenta obrigatório da República Islâmica — desencadeou meses de protestos antigovernamentais que evoluíram para a maior demonstração de oposição às autoridades em anos.

Muitos pediram o fim de mais de quatro décadas de governo do clero xiita, com mulheres e jovens frequentemente na linha de frente.
Mais de 500 pessoas, incluindo 71 menores de idade, foram mortas nos protestos; centenas ficaram feridas e milhares foram presas durante a onda de agitação que acabou sendo reprimida pelas forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos.
A Anistia identificou 87 autoridades iranianas que, segundo a organização, devem ser investigadas por crimes contra a humanidade — categoria que inclui homicídio, tortura, desaparecimento forçado, estupro e perseguição por motivos políticos, de gênero, étnicos e religiosos.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, disse à agência de notícias Reuters que a responsabilidade recaía sobre um “sistema institucionalizado”, e não apenas sobre alguns agentes agindo por conta própria.
A Anistia informou que a pesquisa para o relatório levou quatro anos e incluiu entrevistas com 270 pessoas, entre manifestantes, familiares de vítimas fatais, testemunhas oculares, jornalistas e ex-detentos, entre outros.
A organização também analisou milhares de vídeos, declarações oficiais e documentos vazados.
Agora, pede que a Assembleia Geral da ONU estabeleça um mecanismo internacional de justiça penal para tratar desses crimes.
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