Uma nova edição do CNN Talks Infraestrutura será realizada nesta terça-feira (15), com foco nos desafios e avanços relacionados à universalização do saneamento básico no Brasil.
O evento tem como ponto de partida um dado preocupante: no ritmo atual, o país só alcançaria a universalização do saneamento em 2070 — 37 anos após o prazo estabelecido pela própria legislação, que prevê a meta para 2033.
O CNN Talks Infraestrutura pode ser acompanhado a partir das 20h30 desta terça-feira (15), pelo CNN Money na TV ou pelo perfil do CNN Money no YouTube.
Avanços e disparidades regionais
Apesar do cenário desafiador, o setor vive um momento considerado favorável. “Muitos investimentos estão vindo para o setor”, afirmou Christianne Dias, diretora-presidente da ABCON, “Muitos leilões foram feitos e houve um avanço muito significativo da participação privada no setor de saneamento.”
No entanto, o país avança em ritmos muito diferentes entre as regiões. São Paulo, por exemplo, tornou-se vitrine dos avanços e antecipou sua meta para 2029, sendo apontado como um dos modelos que estarão no centro do debate.
Em contrapartida, outros estados ainda correm contra o tempo. Faltam fontes de financiamento, mão de obra qualificada e até mesmo materiais e equipamentos para a execução das obras.
Para acelerar esse ritmo, há a necessidade de mais parcerias público-privadas e atenção especial às regiões com maior defasagem.
Carlos Piani, CEO da Sabesp, destacou ainda a necessidade de investimentos contínuos em resiliência: “Nós teremos durante muito tempo que investir em novas fontes de captação e resiliência, manobras e interligações, para que, num momento em que uma área esteja com uma pluviometria mais desafiadora, a gente possa atender por outro caminho.”
Reforma tributária como novo desafio
Além dos obstáculos já conhecidos, um novo desafio se apresenta ao setor: a reforma tributária, cuja transição começa no próximo ano.
De acordo com Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, “a universalização precisa acontecer em meio a um cenário de taxa de juros alta, de capacidade de pagamento muitas vezes baixa por parte da população, de necessidade de subsídio cruzado, que precisa levar em consideração toda a reforma tributária e tudo o que está acontecendo.”
As mudanças previstas pela reforma devem elevar em até 18% a carga de impostos pagos pelas companhias de água e esgoto, com potencial impacto também na conta do consumidor.

