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Mercado espera que “superquarta” reajuste juros no Brasil e EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Mercado espera que “superquarta” reajuste juros no Brasil e EUA

Economistas e especialistas do mercado projetam novos movimentos na política monetária do Brasil e dos Estados Unidos nesta semana, diante dos indicadores de inflação dos dois países divulgados na última semana.

A direção, porém, deve ser oposta: enquanto por aqui a expectativa está na redução de 0,25 ponto na Selic, atualmente em 14%, nos EUA as apostas estão em um acréscimo de 0,25 ponto na taxa, que hoje flutua entre 3,5% e 3,75%.

O evento, que acontece em 16 de setembro, é apelidado de “superquarta” por reunir duas decisões importantes sobre juros em um único dia: a do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e a do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve, o banco central americano).

A reunião desta semana ganha ainda mais peso após os dados divulgados na última “supersexta”, quando Brasil e Estados Unidos apresentaram seus respectivos índices de preços ao consumidor, o IPCA e o CPI.

No Brasil, especialistas ouvidos pelo CNN Money são unânimes na expectativa de uma redução da Selic, a taxa básica de juros, após o IPCA mostrar queda de 0,32% nos preços em agosto, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado foi puxado principalmente pelo alívio no preço da energia elétrica residencial. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,11%, enquanto, nos últimos 12 meses, a variação ficou em 4,22%. Em agosto de 2025, o índice havia registrado queda de 0,11%.

A deflação veio acima das expectativas dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam recuo de 0,29%. Trata-se ainda do menor resultado para agosto desde 2022, quando o índice caiu 0,36%.

Julio Barros, economista do Banco Daycoval, afirma que, de modo geral, o resultado ficou próximo ao esperado pelo mercado, mas apresentou uma composição um pouco melhor, o que abre espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos, avalia que o ciclo de cortes não deve se limitar à reunião desta quarta-feira e pode continuar nos próximos encontros.

“Vale destacar, no entanto, que o BC deve manter a postura conservadora com ritmo lento de cortes (0,25 p.p). A instituição ainda precisa lidar com expectativas desancoradas e pressões fiscais sobre os preços”, disse.

Avanço da inflação deve pressionar Fed

Nos Estados Unidos, porém, a perspectiva é diferente. O CPI, índice equivalente ao IPCA, mostrou que a inflação continua sendo um desafio para o Federal Reserve.

Além disso, os preços ao produtor, o PPI, nos Estados Unidos, aumentaram, acumulando alta de 5,4% nos 12 meses até agosto, em meio à recuperação dos custos dos produtos de energia.

De acordo com Rodrigo Grossi, cofundador e diretor de Operações da HUMU e especialista em regulação do Banco Central, apesar do Fed acompanhar principalmente o Índice de Preços, o PCE, o dado de agosto só será divulgado depois da próxima reunião.

Nesse contexto, o CPI e o PPI se tornam as principais referências para o BC americano, o que levou os operadores a ampliarem as apostas em uma alta de juros do Fed de 0,25 ponto percentual.

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o resultado de agosto do CPI reforça a percepção de que a inflação americana continua distante da meta de 2% estabelecida pelo banco central do país.

O CPI divulgado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho registrou alta de 0,4% no mês passado, enquanto o núcleo, que exclui fatores mais voláteis, como alimentos e energia, avançou 0,3%.

“A inflação americana ainda não entrou em uma trajetória suficientemente confortável para o Fed e o espaço para manter os juros inalterados ficou significativamente menor”, explica Lima, que aposta em uma alta de 25 pontos-base na próxima reunião.

Gustavo Assis, CEO da Asset, afirma que os componentes mais persistentes da inflação, especialmente serviços e o núcleo do índice, continuam pressionados. Dessa forma, a autoridade monetária tende a agir com mais cautela.

Em contrapartida, Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, acredita que o Fed tem bons motivos para elevar as taxas, mas também considera possível uma manutenção dos juros.

“A taxa de inflação bem ancorada, revisões metodológicas no PCE (principal indicador de inflação do Fed) e o fato de que aumentar as taxas antes das eleições de meio mandato pode ser interpretado como um ato político, podem causar uma manutenção dos juros”, explica.

Apesar dessa avaliação, Flores acrescenta que, antes da divulgação do CPI, as apostas do mercado em uma alta de juros estavam em aproximadamente 70%. Após a divulgação dos dados, esse percentual subiu para 90%.

*Com informações de João Nakamura e Gustavo Zanfer

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