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Análise: Debate político sobre IA se intensifica em meio a alerta de riscos

Radar Olhar Aguçado(há 27 minutos)
Análise: Debate político sobre IA se intensifica em meio a alerta de riscos

O debate em torno da inteligência artificial está se intensificando em Washington, com legisladores democratas soando alarmes sobre os perigos que, segundo eles, a tecnologia representa, e líderes republicanos sugerindo que essas preocupações são exageradas e secundárias à vitória na corrida da inteligência artificial ​​com a China.

Na semana passada, alguns parlamentares democratas pressionaram o presidente da Câmara, Mike Johnson, para que convocasse a Casa imediatamente a fim de trabalhar na regulamentação da IA, citando o que descrevem como o “risco catastrófico representado pela inteligência artificial avançada”.

Mas o republicano da Louisiana resistiu a esses apelos no domingo (13), afirmando, em vez disso, que os líderes do setor deveriam se reunir com os parlamentares para encontrar um “equilíbrio” em quaisquer possíveis diretrizes.

“Se o Congresso simplesmente se mobilizar às pressas e convocar algum tipo de sessão de emergência para tentar regulamentar a IA, perderemos a corrida para a China, e isso representa uma ameaça para todos os americanos”, disse Johnson no programa “State of the Union” da CNN.

Enquanto isso, o ex-presidente Barack Obama disse aos democratas que a regulamentação da inteligência artificial deve ser uma parte central de sua agenda durante um evento privado de arrecadação de fundos na quinta-feira (10), alertando que a tecnologia pode ser perigosa “se não a controlarmos”.

Em um bate-papo informal com o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, Obama disse que quem quer que concorra à eleição presidencial de 2028 deve ter um “plano muito claro” sobre IA, acrescentando que já via a necessidade de um “projeto” com diretrizes para a IA mesmo no final de seu mandato, há uma década.

“Certamente, se eu fosse me candidatar à presidência no ano que vem, essa seria uma das minhas principais pautas, e eu teria um plano muito claro, e falaria sobre isso, e diria: ‘Aqui está o nosso plano para segurança, aqui está o nosso plano para garantir que nossas crianças não sejam corrompidas por isso’”, disse ele, segundo trechos das declarações fornecidos à CNN por seu gabinete. As declarações de Obama foram divulgadas primeiramente pelo New York Times.

As preocupações com a rápida aceleração da IA ​​atingiram o auge depois que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, escreveu um ensaio de 3.800 palavras no sábado, afirmando que a corrida para desenvolver inteligência artificial precisa urgentemente de uma desaceleração. O apelo à ação surgiu após um modelo de teste da OpenAI ter invadido a plataforma online da Hugging Face, aprofundando as preocupações com a segurança cibernética.

Em entrevista exclusiva à CNN com Anderson Cooper no sábado (12), Amodei pediu aos líderes do setor que trabalhem juntos para evitar “os caminhos errados” e a possibilidade de a IA prejudicar a humanidade.

Um pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, pediu demissão da empresa devido a preocupações de que a indústria não estivesse fazendo o suficiente para impedir que a IA destruísse a humanidade até o final da década.

Obama afirmou que os democratas precisam de um plano para colocar em prática sua agenda de inteligência artificial caso conquistem a maioria na Câmara nas eleições de meio de mandato deste ano.

Em conversa com Jeffries, que provavelmente será o presidente da Câmara caso os democratas vençam em novembro, Obama disse: “Assim que o senhor for presidente da Câmara, eu recomendo fortemente que os democratas elaborem uma estrutura para um debate público, que pode ser dividido em três, quatro ou cinco tópicos.”

Obama enfatizou que a estrutura deve ser centrada na realidade de que a tecnologia não pode ser simplesmente “enfiada de volta numa caixa”.

“Isso é algo que está se desenvolvendo muito rapidamente em mãos privadas, e se não tomarmos o controle, acho que pode ser perigoso. Se tomarmos o controle, acredito que será benéfico”, disse Obama, apresentando exemplos do uso potencial da IA ​​no desenvolvimento de medicamentos e na busca de caminhos para um futuro de energia limpa.

“Não queremos eliminar essas oportunidades, mas temos que entender que esta é uma ferramenta”, disse ele.

Jeffries concordou com o ex-presidente em uma declaração fornecida à CNN no domingo.

“O presidente Obama está correto ao afirmar que medidas decisivas devem ser tomadas em relação à Inteligência Artificial”, disse ele, acrescentando: “Na maioria, agiremos com urgência nessa questão com uma resposta legislativa que reconheça a importância de as empresas americanas continuarem a liderar a área da Inteligência Artificial, ao mesmo tempo que implementamos salvaguardas significativas que protejam o povo americano de agentes mal-intencionados e dos danos reais que podem ser causados ​​à humanidade.”

Jeffries também acusou os republicanos de terem “abdicado de sua responsabilidade de governar” e disse que os democratas “não repetirão o erro”.

Uma fonte familiarizada com o pensamento de Obama disse que o ex-presidente vê a carta de Amodei e reações semelhantes de outros magnatas da tecnologia como um desenvolvimento encorajador.

Mas o presidente Donald Trump descartou as preocupações, dizendo que não está preocupado com nenhuma ameaça existencial representada pela IA, concentrando-se, em vez disso, na vantagem dos EUA sobre a China no desenvolvimento dessa tecnologia.

“Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim”, disse Trump a repórteres no Amgen Irish Open no domingo.

Trump afirmou no domingo que o avanço da IA ​​trará “mais benefícios” do que malefícios e negou estar minimizando as preocupações em torno da tecnologia. Questionado por repórteres se utiliza IA, Trump respondeu: “Sim, utilizo”, embora tenha se recusado a especificar em que aspecto. “Você pode usar IA para muitas coisas”, acrescentou.

Um dos principais conselheiros econômicos de Trump, Kevin Hassett, também rejeitou os apelos para desacelerar a tecnologia, afirmando no domingo que a maior preocupação é um cenário em que “um agente mal-intencionado tenha acesso a uma IA melhor do que a que temos para nos proteger”.

Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, disse no programa “State of the Union” que a Casa Branca pode realizar reuniões esta semana para discutir as preocupações de Amodei, mas não especificou se Trump havia proposto medidas de proteção mais rigorosas.

“Tenho receio de que, se não vencermos a corrida pela IA, ficaremos numa situação muito difícil”, disse Hassett. “Atualmente, estamos à frente da China.”

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