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‘Tomei Mounjaro e engravidei’: entenda relação da tirzepatida com os anticoncepcionais

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
‘Tomei Mounjaro e engravidei’: entenda relação da tirzepatida com os anticoncepcionais

O Brasil vive hoje um cenário de alerta envolvendo a busca pelo emagrecimento com as famosas “canetinhas emagrecedoras”. Apesar de apresentarem resultados rápidos e positivos, os medicamentos também oferecem efeitos indesejados para pacientes, especialmente em mulheres.

Nas redes sociais, viralizou um movimento criado para alertar o público feminino sobre a interação entre a tirzepatida e os anticoncepcionais orais. Chamado de “bebê Mounjaro”, o termo também é utilizado de forma bem-humorada para se referir a gestações não planejadas, decorrentes da redução do efeito contraceptivo provocada pelo uso da caneta emagrecedora.

Especialistas ouvidos pela CNN Brasil neste sábado (12) explicam que isso acontece porque o Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida e um dos principais na luta contra o emagrecimento, pode retardar o esvaziamento do estômago e, com isso, interferir na absorção dos hormônios presentes no contraceptivo oral.

A pesquisa “Agonistas do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e contração oral“, realizada pela Corsrh, Faculdade de Saúde Sexual e Reprodutiva de Londres, também reforça essa afirmação. O estudo apontou uma redução em 20% da absorção do etinilestradiol (hormônio que pertence à classe dos estrogênios) e em 21% do norgestimato (progesterona) do anticoncepcional analisado em 40 mulheres, causado pela tirzepatida.

No Brasil, a Lilly Medicamentos, uma das responsáveis pela comercialização do Mounjaro, já cita na bula a possibilidade dos anticoncepcionais perderem seu efeito.

“Como existe a possibilidade da redução da eficácia desses anticoncepcionais, recomenda-se o uso de outro método que não seja oral ou acrescentar um método de barreira”, cita a bula.

Mas por qual motivo isso acontece?

A relação está ligada à forma como a tirzepatida atua no organismo. De acordo com o endocrinologista Michel Fernandes, a ação sobre o GLP-1 pode retardar o esvaziamento gástrico, fazendo com que medicamentos ingeridos por via oral permaneçam por mais tempo no estômago antes de chegarem ao intestino, onde ocorre a absorção de muitos deles.

“Quando você toma o anticoncepcional e tem um retardo do esvaziamento do estômago, aquele comprimido vai ficar por mais tempo lá. O remédio não está preparado para ficar tanto tempo sob a disposição ácida do estômago e aí esse ácido vai destruí-lo. Esse comprimido não vai ser absorvido da forma adequada e, por isso, acaba perdendo o efeito”, explica Fernandes.

Além disso, a ginecologista Grazielly Teles aponta que efeitos gastrointestinais advindos da medicação também podem comprometer a absorção da pílula.

“O vômito pode ser sim potencializado pelo uso do Mounjaro, ou até mesmo a diarreia. Se você tá diminuindo a absorção desses hormônios, consequentemente você também está diminuindo a eficácia do medicamento”, complementa a médica.

Engravidei com Mounjaro e agora?

A gravidez surgiu de surpresa para a empreendedora Amanda Aguiar, de 28 anos. Ao longo do tratamento com Mounjaro, que durou cerca de três meses, ela engravidou mesmo usando anticoncepcional.

“Assim, eu não queria engravidar, porque eu estava pensando ainda em perder peso. Então, nesses 3 meses eu não sabia que eu estava grávida”, conta.

Após a descoberta, ela foi orientada pelos médicos a parar de tomar o ingetável à base de tirzepatida para preservar a saúde do bebê.

“Só que eu fiz meus exames e deu tudo certo. Não senti nada. Meu bebê mexe normal [..] o médico disse que eu tinha que parar, porque até então não tem estudos sobre os efeitos da gravidez e o do medicamento. Então o ideal seria parar de tomar”, conta a empreendedora.

O vídeo feito por Amanda sobre a gravidez já ultrapassa 11 mil visualizações. Segundo ela, mesmo após o susto, a chegada de um novo bebê é visto com muito amor e carinho: “Hoje não me vejo sem meu filho mais”, finaliza.

Quais métodos são afetados?

Segundo os especialistas, o método mais afetado pela tirzepatida é o anticoncepcional administrado por via oral. Outras fórmulas que não dependem da absorção pelo sistema digestivo, não sofrem a interferência da mesma forma.

Apesar disso, o preservativo precisa ser utilizado para evitar a gravidez indesejada.

“O que a gente recomenda muito nesses casos, é associar com o método de barreira. Então, camisinha feminina, masculina ou associar a um outro método para que ela fique mais segura, principalmente mulheres que realmente não tem esse desejo gestacional e nem querem receber uma surpresa ali mediante esse processo de emagrecimento”, explica Grazielly.

Mito ou verdade? O emagrecimento em si pode influenciar na fertilização?

É verdade. Segundo o endocrinologista Michel Fernandes, a perda de peso provocada pelo tratamento da obesidade também pode favorecer o retorno da fertilidade em mulheres que apresentavam dificuldades pela obesidade ou por alterações hormonais.

“Ela começa a emagrecer, tem [no Mounjaro] umas enzimas chamadas aromatase que produzem alguns hormônios que também tratam o ovário policístico de certa forma, e ela acaba se tornando mais fértil. Então tem essa questão hormonal no estômago que altera a absorção do remédio”, explica Fernandes.

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