É consenso no mercado que o Copom (Comitê de Política Monetária) vai cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 13,75% ao ano na próxima quarta-feira (16).
Esta é a “aposta fácil” de se fazer, escreve o BofA (Bank of America) em relatório desta sexta-feira (11). O que de fato importa e tem dividido o mercado, agora, é acertar qual será o futuro da Selic nas últimas duas reuniões de 2026 da diretoria do BC (Banco Central).
E após uma série de dados favoráveis ao trabalho da autoridade monetária, o BofA revisou suas projeções, passando a bancar cortes de 0,25 ponto em todos os encontros do Copom até o final do ano, fazendo a Selic encerrar o período em 13,25%.
Anteriormente, esperava que fechasse em 13,75%, com apenas o corte da próxima reunião sendo realizado, assim como a mediana do mercado apurada pelo boletim Focus.
Em relatório, o chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do banco, David Beker, reconhece que o posicionamento é “firmemente mais moderado do que o mercado”.
“Isso é consideravelmente mais moderado do que o mercado, e é a mensagem central desta análise”, indica.
“Em nossa opinião, o mercado está muito focado no risco eleitoral e nos riscos de inflação alta que o Banco Central Britânico (BCB) gosta de destacar, e não está suficientemente atento à medida que a atividade e o crédito já esfriaram”, pontua.
São três os motivos pelos quais o BofA acredita que o BC não irá sinalizar uma pausa no ciclo de afrouxamento da política monetária.
“Primeiro, a inflação subjacente está melhorando e a projeção para o horizonte relevante parou de piorar, portanto, o principal motivo para manter as taxas de juros desapareceu”, escreve Beker.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (11).
“Segundo, o crescimento desacelerou e o aumento da inadimplência aponta para alguma pressão sobre o crédito, o que apenas agrava a desinflação já em curso”, acrescenta.
A economia brasileira mostrou perda de fôlego no 2º trimestre de 2026, com avanço de 0,5% ante os três meses anteriores, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto). Destaque do indicador foi o consumo das famílias, que retraiu 0,4% no período.
Em meio ao cenário de juros altos, as compras são controladas à medida que o bolso do consumidor é pressionado. A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional avançou para 4,9% em julho, a maior da série histórica iniciada em 2011.
O terceiro motivo, “e mais importante”, é justamente o juro alto. “Mesmo após novos cortes de 25 pontos-base, a política monetária permanece muito restritiva”, ressalta o BofA.
“Há bastante espaço para cortes antes que a política deixe de ser restritiva, portanto, vemos poucos motivos para o BCB fechar as portas agora”, conclui, destacando que o comunicado do Copom deve vir mais suave e manter em aberto a possibilidade de novos cortes no futuro.
Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

