O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) ligou para o deputado estadual André do Prado (PL-SP) para cobrar explicações sobre as declarações do candidato ao Senado de que os eleitores de São Paulo não sabem quem são os senadores que atualmente representam o estado.
Segundo a apuração da CNN, Pontes questionou Prado sobre as falas, que têm sido repetidas pelo candidato durante a campanha. O episódio chama atenção porque os dois são filiados ao mesmo partido e porque Pontes é um dos três atuais representantes de São Paulo no Senado.
Em discursos recentes, Prado tem questionado publicamente o conhecimento dos eleitores sobre os senadores paulistas. “Vocês sabem quem são os senadores por São Paulo? Não sabem. Ninguém sabe.”
Em um evento de campanha em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, ele citou os três parlamentares e perguntou ao público se alguém sabia quem eram os representantes do estado. A fala foi interpretada como uma crítica à atuação da atual bancada e acabou atingindo diretamente Pontes, seu correligionário.
Além de Pontes, a bancada paulista no Senado é formada por Mara Gabrilli (PSD) e Alexandre Giordano (Podemos). Os dois encerram os mandatos neste ano e são justamente as duas cadeiras que estarão em disputa na eleição de outubro. Pontes, eleito em 2022, tem mandato até 2031 e, portanto, não disputa uma nova vaga neste pleito.
A fala de Prado já havia provocado uma reação pública de Mara Gabrilli. A senadora afirmou que o candidato desconhece o trabalho realizado pelos atuais representantes e citou mais de mil proposições legislativas apresentadas por ela, além de recursos destinados a municípios paulistas.
O episódio envolvendo Pontes ocorre em meio a uma disputa cada vez mais acirrada dentro do campo da direita pela segunda vaga ao Senado. André do Prado é candidato pelo PL e tem aparecido na campanha como o “braço direito” do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Tarcísio definiu André do Prado e Guilherme Derrite (PP) como os dois candidatos ao Senado que pretende apoiar. A estratégia, no entanto, não impediu a fragmentação da direita paulista. Ricardo Salles (Novo), que também disputa uma das duas vagas, tem feito ataques diretos a Prado.
No debate entre candidatos ao Senado promovido pela Band, na quarta-feira (9), Salles questionou as credenciais de Prado como candidato identificado com a direita e o acusou de tentar se apresentar como bolsonarista. Prado respondeu dizendo que sempre foi contra o PT e destacou seus 32 anos de vida pública.
Na quinta-feira (10), Tarcísio foi questionado sobre os ataques entre os dois candidatos. O governador afirmou considerar o confronto “normal” e disse respeitar os candidatos, mas reforçou que, para seu grupo político, os nomes escolhidos são André do Prado e Guilherme Derrite.
Aliados de Tarcísio afirmam, porém, que o governador tentou, durante a pré-campanha, mobilizar sua base em torno dos dois nomes escolhidos para o Senado. A expectativa era evitar uma pulverização do voto da direita e garantir a eleição da dupla apoiada pelo governo estadual.
A estratégia não foi suficiente para impedir o avanço de outras candidaturas. Ricardo Salles, segundo aliados, chegou a sinalizar inicialmente ao governador que concorreria a uma vaga na Câmara dos Deputados, mas posteriormente foi anunciado como candidato ao Senado pelo Novo.
A divisão aparece também nas pesquisas. Levantamento mais recente da Quaest, realizado entre 4 e 7 de setembro, mostra Marina Silva (Rede) e Guilherme Derrite empatados com 14% das intenções de voto, seguidos por Simone Tebet (PSB), com 12%. André do Prado aparece com 7%, enquanto Ricardo Salles tem 3%. Como neste ano São Paulo elegerá dois senadores, a disputa pela segunda vaga permanece aberta.
Em evento na noite da última quinta-feira (10), em São Paulo, André do Prado voltou a atacar os senadores eleitos por São Paulo e também fez uma crítica que gerou um novo incômodo dentro da composição partidária: “muito se fala somente em segurança, mas esquecem da saúde. Sem saúde, não tem segurança”. A fala também gerou incômodo nos bastidores, afinal aliados interpretaram que a posição atinge diretamente Guilherme Derrite (PP), que forma dupla com André do Prado na legenda encabeçada por Tarcísio de Freitas.
Procurados, Marcos Pontes e André do Prado não quiseram comentar publicamente o teor da conversa.
