Uma das brincadeira mais recorrentes e populares na internet sobre o mundo do futebol envolve o maior artilheiro das Copas do Mundo: o francês Kylian Mbappé. O atacante passou a ser chamado de “Ditador Mbappé”, em uma sátira que faz referência a sua influência nos clubes por onde jogou e na seleção da França.
Nesta sexta-feira (11), o jogador concedeu entrevista ao jornal L’Equipe, comentando pela primeira vez o apelido que tem crescido nas mídias sociais.
“Tem uma parte que é engraçada porque a gente sente que é uma brincadeira inofensiva. Tem outra parte um pouco menos engraçada porque sabemos os estragos que esse tipo de pessoa causou na história”, comentou o craque do Real Madrid.
“Então, ser comparado a pessoas que assassinam pessoas ou que deixaram milhões e milhões de pessoas infelizes, não acho que eu tenha feito isso na minha vida”.
Apesar de encarar a situação com bom humor, Mbappé criticou a gravidade da comparação. “Há uma mistura de coisas, e a gente pensa: ‘Eu sei que é de forma leve e por isso não vai tão longe’. Mas isso às vezes mostra que há uma falta de consciência, às vezes política e humana nas pessoas”, acrescentou.
O surgimento do meme
O apelido surgiu durante sua renovação com o Paris Saint-Germain, em 2022. Na época, a imprensa europeia noticiou que o projeto esportivo do clube foi reorganizado em torno do atleta, causando a percepção que ele teria poder de decisão na escolha de técnicos e na contratação de jogadores.
Em 2024, a piada ganhou ainda mais força após Mbappé acionar seus advogados para processar um influenciador por uso de sua imagem. O caso gerou uma nova onda de montagens irônicas que colocavam o atacante em cenários autoritários.
Na Copa do Mundo deste ano, o tema voltou a viralizar após Mbappé sugerir aos funcionários do estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, quais partes do gramado precisavam ser limpas após a tempestade que atrasou a partida entre França e Iraque.

Brincadeira entre jogadores
Um vídeo que circula na internet durante a Copa do Mundo de 2022 mostra o elenco da seleção francesa brincando com o termo “Ditador” junto com Mbappé, que parecia aceitar as brincadeiras.
Na filmagem, o atacante Dembélé chama o companheiro de “Mobut”, em referência a Mobutu Sese Seko, que comandou o antigo Zaire (hoje República Democrática do Congo) por mais de 30 anos em um sistema ditatorial .
Dembélé e os companheiros brincam chamando Mbappé de “Mobut”, uma referência ao ditador africano Mobutu. pic.twitter.com/73ZzN5iqNV
— Curiosidades Europa (@CuriosidadesEU) July 1, 2026
Repercussão midiática
Para especialistas em gestão e marketing esportivo, essas ações podem comprometer a imagem de qualquer pessoa pública. Na opinião Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, existe uma diferença importante entre engajamento positivo e viralização associada a atributos negativos.
“Quando um apelido passa a reforçar características como autoritarismo, arrogância ou excesso de poder, ainda que em tom de humor, ele pode influenciar a percepção pública e afetar atributos fundamentais da marca pessoal do atleta, especialmente perante patrocinadores”, comenta.
Na visão de Bruno Brum, CMO da Agência End to End, empresa de marketing esportivo, a piada funciona a curta prazo por ser tendência. Mas a longo prazo, há o risco de causar danos à identidade dos atletas.
“Marcas investem em atributos como liderança, carisma e inspiração, e qualquer meme que desloque essa percepção para características negativas exige um trabalho maior de gestão de imagem”, opinou, complementando em seguida. “Se esse tipo de narrativa passa a se repetir em diferentes episódios, ela pode consolidar um estereótipo e percepções repetidas acabam se tornando parte da identidade percebida pelo público”.

