O contrato firmado entre o escritório de Viviane Barci de Moraes com o antigo Banco Master previa o pagamento de R$ 131 milhões pelos serviços jurídicos prestados. Descontados os valores de impostos, o escritório receberia R$ 108 milhões líquidos.
A Receita Federal revelou, no entanto, que foram declarados R$ 80,2 milhões de repasses entre o Master e o escritório Barci de Moraes.
A informação consta na íntegra do documento sobre as investigações do Banco Master, que foi revelado após a retirada de sigilo das investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quinta-feira (10).
Os pagamentos foram levantados com base na declaração de IR (Imposto de Renda) da instituição financeira comandada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março.
O primeiro contrato, divulgado pela CNN Brasil, previa o pagamento de 36 parcelas mensais e sucessivas no valor de R$ 3,6 milhões cada, totalizando R$ 131 milhões. O valor líquido — descontando os impostos — ficaria em R$ 108 milhões.
Com o aniquilamento do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, os pagamentos foram interrompidos.
A CNN Brasil mostrou que o ministro Alexandre de Moraes também chegou a ter acesso e editar o contrato antes da assinatura. Em nota divulgada em março, o escritório da esposa de Moraes relatou ter prestado “ampla consultoria e atuação jurídica” e diz que produziu 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para o Master.
O que os envolvidos dizem
O escritório Barci de Moraes disse não confirmar informações ‘incorretas e vazadas ilicitamente’. “O escritório não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”, afirma em mensagem enviada à reportagem.
Sobre o acesso do ministro Alexandre de Moraes ao contrato, a CNN Brasil entrou em contato com a assessoria de Moraes e aguarda resposta.

