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Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência

Os houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, chegaram à cidade portuária de Dhubab, ao longo do Estreito de Bab el-Mandeb, em frente à ilha de Perim, disseram à Reuters nesta sexta-feira (11) duas fontes do governo iemenita.

O controle de Dhu Bab e Perim é fundamental para conquistar o estreito. 

Na quinta-feira (10), os rebeldes capturaram posições estratégicas ao longo do Mar Vermelho, potencialmente ampliando a influência de Teerã sobre outra via navegável fundamental no Oriente Médio.

A ação militar levou a uma disparada os preços do petróleo, com o barril acima de US$ 107 pela primeira vez desde maio.

Eles tomaram a cidade de Mocha, uma localidade costeira crucial a cerca de 50 milhas ao norte de Perim, informou o ministro da informação do governo internacionalmente reconhecido à CNN. A notícia causou grande repercussão mundial pelo potencial impacto no comércio marítimo global.

Porta de entrada para a rota entre a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez, Bab al-Mandeb é um ponto de estrangulamento geopolítico semelhante ao Estreito de Ormuz, que liga a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez. Embora seja menos crítico para o comércio de petróleo do que Ormuz, ainda transporta bens essenciais ao redor do mundo, incluindo milhões de barris de petróleo por dia.

O desenvolvimento coincide com uma escalada regional mais ampla da guerra entre o Irã e os Estados Unidos, após Teerã alertar esta semana que intensificaria as hostilidades contra os EUA, que mantêm um rigoroso bloqueio naval ao Irã e continuam a lançar ataques militares contra o país.

Como chegamos até aqui?

Após anos de impasse, os combates entre as forças apoiadas pela Arábia Saudita e os houthis apoiados pelo Irã no Iêmen voltaram a se intensificar no último mês como resultado das tensões provocadas pelo conflito regional mais amplo entre o Irã e os EUA.

O Mar Vermelho tornou-se um ponto focal à medida que o Irã buscava formas de pressionar a economia global e obter mais concessões de Washington.

No mês passado, os houthis intensificaram uma ofensiva para tomar a cidade portuária de Mocha das forças apoiadas pela Arábia Saudita. Há algumas semanas, mais de 25 foguetes houthis atingiram o extenso porto enquanto navios comerciais descarregavam mercadorias, de acordo com o diretor do porto, Abdel Malek Al-Sharaabi.

Até a manhã de quinta-feira, a cidade estava sob o controle das Forças de Resistência Nacional, um grupo apoiado pela Arábia Saudita comandado por Tarik Saleh, vice-presidente do combalido governo iemenita internacionalmente reconhecido. Os houthis posteriormente afirmaram ter capturado a cidade, e começaram a surgir relatos de que o grupo avança sobre outras cidades com o objetivo de tomar todo o litoral.

Em entrevista exclusiva à CNN no início deste mês, Saleh alertou que, se os Houthis tomassem a Ilha Perim — localizada diretamente no ponto de estrangulamento de Bab al-Mandeb —, eles poderiam obter o controle do próprio estreito. Expulsá-los exigiria “uma força (internacional) massiva e as marinhas de guerra”, disse ele.

Por que isso aconteceu agora?

A ofensiva Houthi para capturar posições estratégicas ao longo da costa ocidental com vista para o Mar Vermelho atinge dois objetivos fundamentais para os rebeldes, segundo um especialista.

“Eles estão em boa posição para aumentar sua influência em torno de Bab al-Mandeb… e agora podem se proteger de quaisquer operações terrestres que possam vir dessa área”, disse Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen no think tank International Crisis Group, à CNN.

Apesar do impasse que se seguiu à trégua de 2022 entre os Houthis e as forças apoiadas pela Arábia Saudita, as tensões vinham se acumulando entre as facções iemenitas por meses, em meio a graves dificuldades econômicas e humanitárias. Em julho, elas atingiram um ponto de ebulição quando um avião iraniano transportando uma delegação Houthi ao funeral do Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei pousou no aeroporto de Sanaa, controlado pelos Houthis.

A medida desafiou diretamente o controle saudita sobre o espaço aéreo iemenita e provocou retaliação do reino, que ordenou ataques à pista do aeroporto.

Os Houthis acusaram a Arábia Saudita de romper a trégua de fato de quatro anos e responderam bloqueando navios sauditas, abrindo fogo contra embarcações em trânsito nas águas próximas ao Iêmen e atacando instalações petrolíferas no reino.

Os ataques também permitiram que o Irã aumentasse a pressão sobre a Arábia Saudita, aliada dos EUA que abriga tropas e bases americanas que Teerã afirma terem sido usadas para atacá-lo.

E agora?

A captura de Mocha pode dar a um grupo treinado e auxiliado pelos Guardas Revolucionários do Irã maior influência no Mar Vermelho, ao mesmo tempo em que expande seu controle sobre mais território no Iêmen — embora especialistas observem que as linhas de frente continuam se deslocando.

Além de seu impacto geopolítico, o desenvolvimento corre o risco de agravar a crise humanitária do Iêmen, já classificada pelas Nações Unidas como uma das piores do mundo.

Um bloqueio efetivo dos Houthis em Bab al-Mandeb abriria uma nova frente na guerra com o Irã e poderia exigir intervenção militar dos EUA, potencialmente enfraquecendo a capacidade de Washington de manter navios em trânsito pelo Hormuz. Também poderia impedir a Arábia Saudita de enviar diesel à Europa em um momento crítico para o mercado de combustíveis.

A movimentação acrescenta ainda mais volatilidade aos mercados de petróleo, já sob pressão pelo número muito baixo de embarcações em trânsito pelo Hormuz.

Apesar da preocupação, vários oficiais dos Houthis sinalizaram que o avanço não representa uma ameaça para o transporte marítimo internacional. O grupo afirmou que está mirando apenas navios sauditas.

“A questão agora é como a coalizão liderada pelos sauditas vai reagir”, disse Nagi, do Crisis Group. “Este não é o fim da batalha, provavelmente veremos mais desdobramentos nos próximos dias.”

O que acontece com o fechamento dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb?

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