Alexandre de Moraes defendeu que o STF realize um julgamento conjunto das questões relacionadas ao inquérito do Banco Master. Ao Bastidores CNN desta sexta-feira (11), o âncora Gustavo Uribe e a analista Isabel Mega comentaram a estratégia adotada pelo ministro antes da sessão plenária marcada para terça-feira (15).
Segundo Uribe, a movimentação de Moraes representa uma tentativa de apontar a existência de seletividade na condução das investigações. “Faz sentido que ele traga Dias Toffoli, Carmen Lúcia e outros ministros para o lado dele, já que são votos que nós não temos certeza de como serão”, observou.
O âncora destacou o argumento que Moraes tem tentado consolidar diante do presidente da Corte, Edson Fachin: “Se vão votar em plenário o meu caso, por que não votar o caso do André Mendonça também?”
Na avaliação de Isabel Mega, a situação evidencia que não há trégua entre os magistrados, e que Moraes e Mendonça estão em rota de colisão direta.
“Os ministros vão se manifestando oficialmente e oficiando Fachin para que tome providências”, destacou a analista.
Durante a tarde desta sexta, Fachin acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República e deu 24 horas para que André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados ao caso Master.
Mega observou que a linha argumentativa adotada por Moraes encontra paralelo no campo político, onde vinha crescendo o discurso a favor da retirada do sigilo.
Segundo a analista, a posição tem sido adotada tanto por aliados de Lula (PT) quanto de Flávio Bolsonaro (PL), com o objetivo de dar um recado de que tudo será passado a limpo.
Isabel Mega observou também que Moraes apontou uma brecha na decisão de Fachin na noite de quinta-feira (10), quando ele delimitou a retirada dos sigilos ao relator do caso, André Mendonça.
“Quando chega ao gabinete, Mendonça toma a decisão que bem entende e não retira o sigilo por completo. É por essa decisão que Alexandre de Moraes aponta que, na avaliação dele, há uma seletividade”, afirmou Mega.

