O ministro André Mendonça determinou à Polícia Federal a abertura de uma investigação contra Flávio Bolsonaro (PL) para apurar suposta prática de crimes no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o analista de Política Matheus Teixeira, a decisão representa uma tentativa de Mendonça de conter as críticas que vêm sendo feitas a ele dentro e fora do Supremo Tribunal Federal.
“O ministro está tomando uma série de vacinas para tentar conter as críticas de que ele tem atuado de maneira parcial”, afirmou Teixeira ao Live CNN desta sexta-feira (11).
As críticas à atuação de Mendonça não partem apenas de setores externos ao tribunal. O ministro Flávio Dino, ao reintegrar Andrei Rodrigues à chefia da Polícia Federal, afirmou que poderia haver um direcionamento político nas ações de Mendonça.
Da mesma forma, Gilmar Mendes, ao justificar seu pedido de vista no caso de Andrei Rodrigues na segunda turma, também sinalizou a possibilidade de pressões políticas eleitorais.
“Essa é sempre uma crítica muito contundente a qualquer magistrado que tem o dever de imparcialidade”, destacou Teixeira.
De acordo com o analista, a efetividade dessas medidas para conter as críticas só deverá ser avaliada na próxima terça-feira (15), quando o plenário do STF se reunir em sessão extraordinária.
Havengate
Entre os crimes investigados envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, destaca-se a evasão de divisas. A apuração contempla também o fundo Havengate, por onde teria passado parte do dinheiro destinado ao financiamento do filme.
A Polícia Federal busca entender se os recursos foram utilizados exclusivamente para a produção da cinebiografia ou se também serviram para bancar despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no exterior.
Na noite de quinta-feira (10), André Mendonça derrubou o sigilo da investigação do caso Master, a partir de uma solicitação de Edson Fachin. Teixeira observou que o pedido foi feito com a palavra “solicite-se“: “Portanto não era uma determinação ao ministro, mas Mendonça cumpriu.”
Além disso, Mendonça já havia homologado anteriormente a delação do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, que também está inserido no caso do Dark Horse e teria sido responsável por repassar dinheiro ao exterior.

