A inteligência artificial já está consolidada no cotidiano de pessoas e empresas ao redor do mundo, mas sua implementação na América Latina ainda é tema de intenso debate.
No evento SAP Now Tour Brasil, realizado em São Paulo nesta quinta-feira (10), especialistas e líderes empresariais se reuniram para discutir o uso da IA nos negócios e os caminhos para maximizar seus resultados.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Adriana Aroulho, presidente da SAP para América Latina e Caribe, destacou que o evento reuniu mais de 4 mil participantes e contou com mais de 120 clientes apresentando casos reais de aplicação da inteligência artificial.
“O Brasil realmente está na vanguarda”, afirmou Adriana, ressaltando que o país lidera entre as edições do SAP Now realizadas na região, que também passou pelo México e pela Argentina.
Segundo Adriana, para que as empresas consigam extrair o máximo da inteligência artificial, é necessário cumprir uma etapa fundamental: migrar para o modelo de nuvem e quitar a chamada “dívida técnica”.
“O Brasil vai muito avançado nesse processo de migração”, declarou a executiva.
Ela também enfatizou que o grande tema do evento é o conceito de “empresa autônoma”, no qual os processos são executados com o auxílio de uma camada de agentes de IA, mas as pessoas continuam sendo protagonistas na definição de estratégias e na tomada de decisões.
Adriana alertou que a inteligência artificial empresarial exige governança robusta e não pode ser tratada como um experimento isolado.
“Ela precisa estar incorporada na forma como essa empresa opera, com segurança, com confiabilidade, com regras de negócio, respeitando quem pode acessar que tipo de dado”, explicou.
Para a executiva, a IA é um “motor super poderoso”, mas precisa ser alimentada por dados conectados, harmonizados e com contexto de negócio.
Ao ser questionada sobre os principais desafios ainda enfrentados pelas empresas brasileiras, Adriana reconheceu que o retorno sobre o investimento em IA é uma questão central.
“Existe muito experimento de inteligência artificial, mas realmente uma plataforma integrada que opera os processos de fim a fim, com governança, é o que faz a diferença”, pontuou.
Ela também mencionou que o mercado atravessa uma curva de maturidade: após uma fase inicial de experimentação, as empresas agora buscam identificar onde e como aplicar a tecnologia de forma mais estratégica e equilibrada.
A executiva destacou ainda a criatividade brasileira como um diferencial competitivo, citando a presença de representantes de diferentes setores no evento, como farmacêutico, telecomunicações e energia.
Dois executivos globais membros do Conselho da SAP, presentes como convidados especiais, também comentaram no palco que o Brasil se destaca no cenário global de adoção da inteligência artificial.

