O serviço de segurança interna da Rússia, FSB, informou nesta quinta-feira (10) ter detido um ex-segurança da Embaixada do Reino Unido em Moscou que coletava dados pessoais de diplomatas britânicos. Segundo a agência, ele trabalhava para a inteligência da Ucrânia.
A agência afirmou que a coleta de dados fazia parte dos preparativos para uma suposta operação de falsa bandeira da Ucrânia contra funcionários diplomáticos britânicos na Rússia, com o objetivo de posteriormente acusar Moscou de ações hostis.
As relações entre Reino Unido e Rússia se deterioraram fortemente desde que Moscou iniciou sua ofensiva militar na Ucrânia, em 2022. O governo russo considera o Reino Unido o principal apoiador da Ucrânia no conflito por fornecer armas, incluindo mísseis e drones ao exército ucraniano.
Convocação de diplomata russo após ataque
No início de setembro, o Reino Unido convocou o encarregado de negócios da Rússia para condenar uma tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, no mês anterior. O governo britânico tomou a medida depois que o governo alemão afirmou que a Rússia foi responsável pelo incidente. Medida semelhante foi tomada pela União Europeia, Alemanha, Bélgica e Holanda.
“O Reino Unido manifesta total solidariedade à Alemanha após o ataque flagrante e imprudente da Rússia ao aeroporto de Leipzig”, afirmou um porta-voz, acrescentando que as tentativas russas de enfraquecer a determinação dos aliados da Ucrânia eram “inúteis”.
“Este é o mais recente de um padrão claro de tentativas do Estado russo de minar nossa segurança coletiva e é por isso que hoje convocamos o encarregado de negócios da Rússia para condenar o ataque nos termos mais fortes”, disse.
A Rússia nega as acusações, afirmando que são “completamente fabricadas”. A embaixada russa em Londres disse que a convocação feita pelo Reino Unido fazia parte de uma “provocação coordenada”.
“Essas acusações infundadas e absurdas, construídas em um estilo britânico surpreendentemente familiar, foram categoricamente rejeitadas”, afirmou a embaixada em comentários traduzidos publicados no Telegram, acrescentando que medidas de escalada adotadas pelo Reino Unido ou por outros países europeus receberiam uma “resposta adequada e calibrada”.
Rússia retira representante do país
A Rússia afastou o embaixador do país no Reino Unido e afirma que anunciará “no devido tempo” um novo encarregado em Londres.
Andrei Kelin deixou o cargo em julho, depois de mais de sete anos como embaixador. A saída provocou especulações na imprensa de que Moscou estaria rebaixando o nível das relações diplomáticas com o Reino Unido, hipótese negada pela embaixada russa.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirma que a nomeação de um novo embaixador é prerrogativa do presidente Vladimir Putin e que o processo de escolha não é uma questão pública.
Segundo Zakharova, Kelin permaneceu no cargo durante um período extremamente difícil, “diante dos esforços britânicos para desmantelar completamente as relações bilaterais”.
