Dentista do SUS (Sistema Único de Saúde), dirigente partidária e militante de movimentos populares, Samara Martins é a candidata da UP (Unidade Popular) à Presidência da República. Natural de Belo Horizonte, ela construiu sua trajetória política no movimento estudantil e em organizações ligadas às pautas feminista, negra e socialista.
Samara ocupa a vice-presidência nacional da UP, partido de esquerda que defende um programa de orientação socialista. Também integra o Movimento de Mulheres Olga Benário e a Frente Negra Revolucionária.
Nascida em 31 de agosto de 1987, Samara tem 39 anos. Nas redes sociais, ela se define como “o espelho da mulher brasileira” por ser mãe de dois meninos e por “se dividir entre casa, luta e trabalho”.
A candidatura de Samara marca a segunda vez que ela participa de uma chapa presidencial. Em 2022, foi candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Leo Péricles, também da UP.
Naquele ano, a candidatura foi apresentada pelo partido como a única chapa presidencial formada exclusivamente por pessoas pretas. Antes da disputa nacional, Samara também concorreu a uma vaga de vereadora em Natal em 2020, pela UP, mas não foi eleita.
Antes de disputar eleições, Samara construiu carreira política em entidades estudantis. Ela atuou na AMES-BH (Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte) e posteriormente foi diretora de mulheres da UNE (União Nacional dos Estudantes).
A candidatura de Samara para as eleições de 2026 foi lançada oficialmente pelo UP em 27 de julho. Para a vice-presidência, o partido escolheu a guarda portuária e sindicalista paraense Raquel Brício. A composição forma uma chapa exclusivamente feminina.
Segundo o partido, a candidatura tem caráter “socialista e anti-imperialista” e busca apresentar propostas voltadas principalmente à classe trabalhadora. Em suas manifestações, a sigla também associa a campanha ao enfrentamento da desigualdade social, da violência contra as mulheres, do racismo e de questões ambientais.
Em publicação nas redes sociais, a UP afirmou que Samara e Raquel são duas mulheres trabalhadoras “formadas no calor da luta popular” e encarregadas de apresentar ao eleitorado um programa de “Revolução e do Socialismo”.
Fim da escala 6×1 e nacionalização dos bancos
Entre as bandeiras defendidas pela candidatura, estão o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à terceirização e à pejotização e a ampliação de direitos trabalhistas.
O programa político defendido pelo partido também inclui propostas de maior intervenção do Estado na economia, como a nacionalização dos bancos e a reestatização de empresas consideradas estratégicas.
A candidatura defende ainda o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), a ampliação da educação pública e gratuita, a tributação de grandes fortunas e a expansão de programas de moradia popular.
No campo dos direitos das mulheres, Samara tem colocado o combate à violência e ao feminicídio entre os eixos da campanha.
“A nossa candidatura é pra enfrentar a violência contra as mulheres, é pra acabar com o feminicídio. É pra criminalizar todos aqueles que favorecem a exploração, a opressão, a discriminação e a disseminação do ódio às mulheres”, declarou a candidata em discurso.

