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Porto do Açu também enfrenta gargalos logísticos e cobra obras rodoviárias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Porto do Açu também enfrenta gargalos logísticos e cobra obras rodoviárias

Com na maior parte dos portos brasileriros, o crescimento da movimentação de cargas no Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, também esbarra em gargalos na infraestrutura rodoviária de acesso terrestre ao complexo. Atualmente, cerca de 600 caminhões circulam por dia na região.

Atualmente um dos principais pontos de atenção está em um trecho de aproximadamente 12 quilômetros da rodovia estadual que dá acesso ao porto, a RJ-238. A via apresenta condições precárias e precisaria ser recuperada para melhorar o fluxo de cargas.

A Prumo, holding do Porto do Açu, financiou os estudos para a intervenção em 2022. Com isso, o governo do Rio chegou a autorizar a realização de uma licitação estadual para a recuperação do trecho e para a construção de uma nova ligação de aproximadamente 27 quilômetros em linha reta até o porto.

A obra integra o chamado Arco Sul, rota destinada principalmente às cargas que chegam de Macaé (RJ). A nova ligação permitiria reduzir o trânsito de caminhões pela área urbana de Campos dos Goytacazes (RJ), município que fica perto de São João da Barra – onde o porto está localizado.

O avanço da licitação, porém, enfrenta dificuldades. Em abril deste ano, o governador em exercício determinou novamente a suspensão de licitações e contratos das secretarias de Cidades e Obras e do DER-RJ (Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro) por falta de verba.

Segundo o CEO do porto, Eugênio Figueiredo, o governo do estado reconhece a criticidade dos acessos terrestres ao porto, mas com a falta de disponibilidade de recursos públicos do estado do Rio de Janeiro há certa dificuldade em avançar com a pauta.

Diante do impasse, representantes do Porto do Açu têm mantido conversas com os candidatos mais bem posicionados na disputa pelo governo do Rio de Janeiro para tratar das obras e buscar uma solução para o acesso rodoviário ao complexo.

O problema é agravado pelas características do solo da região. Para a recuperação do trecho conhecido como Estrada dos Ceramistas e a construção da ligação prevista no Arco Sul, são estimados cerca de R$ 379 milhões em investimentos.

Arco Norte

O Porto do Açu também trabalha com uma segunda frente de acesso, o contorno de Campos dos Goytacazes, voltado às cargas que chegam pelo norte do estado. A ideia desse trecho também é retirar o fluxo de caminhões de dentro da área urbana de Campos dos Goytacazes.

A expectativa é que o Arco Sul e o contorno ajudem a reduzir a pressão sobre os acessos atuais e evitem que o crescimento da movimentação de cargas transforme o problema em um gargalo estrutural.

Atualmente, a principal demanda do porto é retirar o fluxo de caminhões de dentro de áreas urbanas já que no momento a estrutura é capaz de atender à demanda prevista para o médio prazo.

Acesso ferroviário

A entrada em operação da EF-118, ferrovia projetada para ampliar a conexão ferroviária do Porto do Açu com a malha do Sudeste, também não é considerada uma solução de curto prazo.

Levando em consideração que a ferrovia deve começar a operar em quase 10 anos, o planejamento logístico do Porto do Açu continua dependendo da recuperação e da ampliação dos acessos rodoviários, apontou Figueiredo.

A aposta é que o Arco Sul e o contorno funcionem como alternativas para distribuir o fluxo de cargas e preparar a infraestrutura para o crescimento do complexo.

A jornalista viajou a convite da ATP (Associação de Terminais Portuários Privados) e do Porto do Açu