O Porto do Açu, localizado no norte do Rio de Janeiro, planeja construir um terminal dedicado a combustíveis sustentáveis como parte da estratégia de ampliar sua atuação na transição energética.
A estrutura deverá receber projetos de produção de metanol verde, amônia verde e SAF (combustível sustentável de aviação, em português), produzidos a partir de hidrogênio verde; e biometano.
Segundo o CEO do Porto do Açu, Eugênio Figueiredo, a intenção é concentrar no próprio complexo portuário as diferentes etapas relacionadas aos combustíveis, incluindo produção e movimentação.
Para isso, o atual terminal de líquidos do Açu será utilizado para armazenar essa produção. A área será ampliada para acomodar a produção dos combustíveis verdes.
O projeto, contudo, ainda está em fase de licenciamento ambiental e não há prazo definido para a conclusão das estruturas. Porém, o terminal faz parte da carteira de investimentos prioritários do porto com horizonte até 2030.
A aposta ocorre em um momento de expectativa de aumento da demanda por combustíveis de baixo carbono. No caso do SAF, a procura tende a crescer a partir de 2027, quando começam a valer as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa na aviação.
Além disso, a pressão por descarbonização deve aumentar com os efeitos das mudanças climáticas e com os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris.
Etanol e eletrificação
A estratégia de transição energética do Porto do Açu não se limita à construção de novos terminais. O complexo também começou a testar alternativas de combustível de menor emissão para a própria operação, uma das iniciativas envolve o uso de etanol em embarcações menores.
Outra ação em desenvolvimento é a eletrificação dos berços. A intenção é permitir que os navios utilizem eletricidade enquanto estiverem atracados para operações de embarque e desembarque, reduzindo a necessidade de manter motores ligados durante a permanência no cais, o que reduz a quantidade de emissão de carbono.
A ideia é começar por navios e equipamentos de menor porte e, à medida que a tecnologia e a infraestrutura avancem, ampliar a utilização para embarcações maiores.
Atualmente, no berço de atracação offshore do terminal já existem projetos em andamento para iniciar a eletrificação. Segundo o CEO, testes já foram realizados, inclusive com rebocadores. Já no berço principal do porto, a iniciativa ainda está em fase de estudos.
Principal negócio
Apesar dos investimentos em projetos associados à transição energética, o Porto do Açu mantém uma posição relevante no mercado tradicional de petróleo. Atualmente, o complexo responde por cerca de 40% do petróleo exportado pelo Brasil.
O porto também deve ter um crescimento significativo nos próximos anos na exportação de petróleo, destacou o CEO.
No momento, está em andamento a construção de um terminal líquido do complexo. A expectativa é que as obras sejam concluídas em aproximadamente 45 dias. A estrutura terá áreas destinadas ao armazenamento de lubrificantes e combustíveis marítimos.
Figueiredo afirmou que a Vibra Energia será a primeira empresa a operar no novo terminal.
*A jornalista viajou para o Porto do Açu (RJ) a convite da ATP (Associação de Terminais Portuários Privados).
