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PF suspeita que R$ 750 mil para produtora de Dark Horse vieram de emendas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
PF suspeita que R$ 750 mil para produtora de Dark Horse vieram de emendas

A Polícia Federal suspeita que R$ 750 mil repassados à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tenham origem em recursos públicos de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A investigação também apura se houve uso de dinheiro público na produção do filme. A suspeita integra o inquérito que resultou na operação deflagrada nesta quinta-feira (10), autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão assinada em 3 de setembro.

A apuração tem como base movimentações financeiras do ICB (Instituto Conhecer Brasil), organização presidida por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse.

O ICB recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas apresentadas por Mário Frias para financiar projetos nas áreas de educação e esporte.

Duas empresas ligadas a um mesmo grupo, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, receberam R$ 700 mil do ICB entre fevereiro e março de 2025 por serviços ligados a um projeto financiado com emenda parlamentar.

Meses depois, entre novembro e dezembro, a NTT Brasil, empresa ligada a esse mesmo grupo, repassou R$ 750 mil à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A PF apura se há relação entre o dinheiro público pago pelo ICB e o valor posteriormente transferido à produtora.

Para a corporação, o fluxo financeiro indica a possibilidade de que valores associados aos contratos do ICB tenham sido posteriormente direcionados à produtora.

O repasse ocorreu no mesmo período das gravações de Dark Horse em São Paulo. Segundo a investigação, naquele intervalo a Go Up fez pagamentos a empresas dos setores de hotelaria, alimentação, eventos e produção audiovisual. Entre os gastos identificados estão R$ 906,7 mil para o Hotel Unique e R$ 653,1 mil para a Foodflix Alimentação.

A PF também identificou que o próprio Mário Frias transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up em menos de dois meses. A decisão destaca que os rendimentos mensais do parlamentar eram de cerca de R$ 44 mil e afirma que a movimentação levanta questionamentos sobre o lastro financeiro usado para fazer os repasses.

Operação Make Up

A PF cumpriu nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme Dark Horse. Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado Mario Frias foram alvos.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, apura suposto desvio de emendas parlamentares repassadas a organização da sociedade civil.

Os mandados da operação Make Up, realizada em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações indicam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”, que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. A operação investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

O financiamento do filme Dark Horse é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.

Em março, Dino determinou que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”. Dino mandou o deputado prestar informações sobre “possíveis irregularidades” na execução dos recursos.

O parlamentar é produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura na gestão Bolsonaro. Em manifestação enviada ao Supremo, em maio, Frias negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social.

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