Uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas movimentou cerca de R$ 200 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro, segundo investigação da Polícia Civil de São Paulo. Nesta quinta-feira (10), o órgão deflagrou a Operação Retirada para cumprir 31 mandados de busca e apreensão em cinco estados com o objetivo de desarticular a estrutura financeira do grupo.
As ordens judiciais são cumpridas em cidades de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações e investimentos relacionados aos investigados.
Segundo a investigação, o dinheiro de origem ilícita era movimentado por meio de empresas e contas bancárias registradas em nome de “laranjas”. A estrutura seria usada para ocultar a origem dos recursos e dar aparência legal aos valores.
A apuração começou depois da prisão em flagrante de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas em Campinas. Na ocasião, os policiais apreenderam drogas, cerca de R$ 200 mil em dinheiro vivo e documentos com anotações sobre movimentações financeiras.
A análise desse material, somada a informações de inteligência financeira, levou os investigadores até a estrutura que, segundo a Polícia Civil, era utilizada para movimentar e ocultar os recursos.
Luiz Fernando Dias de Oliveira, delegado do Neccold, afirmou que a investigação avança sobre a estrutura financeira que dava suporte às atividades criminosas. Segundo ele, a Polícia busca chegar aos responsáveis pela administração do esquema a partir da identificação do caminho percorrido pelo dinheiro.
Os policiais procuram documentos financeiros e contábeis, registros bancários, celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados, dinheiro, drogas, armas e outros materiais que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do esquema. Os mandados são cumpridos em Campinas, Nova Odessa, São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, em São Paulo; Curitiba, Sarandi e Umuarama, no Paraná; São João Batista, em Santa Catarina; Rio de Janeiro e Niterói, no Rio de Janeiro; e Goiânia, em Goiás.
A investigação ainda visa identificar quem seriam os responsáveis pela administração das empresas, definir a participação de cada investigado e rastrear o destino dos recursos. Eventuais bens comprados com o dinheiro investigado também são alvo das medidas judiciais.
A operação, batizada de Retirada, é realizada pelo Neccold (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro), da Deic (Divisão Estadual de Investigações Criminais) de Campinas, em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas

