O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, também suspendeu nesta quarta-feira (9) a apuração aberta pela PGR (Procuradoria-Geral da República) para esclarecer se houve “ordem ou interferência externa” na elaboração do relatório da Polícia Federal que revelou mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A investigação havia sido aberta na última sexta-feira (4) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, por meio de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, instrumento usado pelo Ministério Público para fiscalizar a atuação das forças policiais.
Na ocasião, Gonet determinou que a PF esclarecesse como o relatório, requisitado pelo ministro André Mendonça, havia sido elaborado.
Nesta quarta-feira (9), em uma esteira de decisões da Presidência da Corte para tentar conter a crise que se alastrou pelo STF, Fachin determinou a suspensão do procedimento da PGR “até ulterior deliberação” do Supremo.
A medida foi tomada em uma petição aberta pela Presidência da Corte para concentrar a análise dos fatos envolvendo Mendonça, Moraes e a Polícia Federal.
O relatório da PF foi produzido depois que Mendonça requisitou à corporação informações atualizadas sobre as investigações do Banco Master, com foco na rede de influência atribuída a Vorcaro. Ao recebê-lo, Mendonça retirou o sigilo do processo.
O documento trouxe registros de mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes e referências a encontros entre os dois, conteúdo que desencadeou uma crise dentro do Supremo e levantou questionamentos sobre como a PF chegou a informações envolvendo um ministro da própria Corte.
Ao comunicar a Fachin o começo das apurações, Gonet afirmou que a PGR não havia sido informada previamente sobre a determinação de Mendonça que deu origem ao relatório e que, por isso, não pôde acompanhar essa etapa da investigação.

