A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) monitora desdobramentos do caso Dark Horse, mas evita, segundo fontes, contar com “erros” de Flávio Bolsonaro (PL) — que aparece empatado com o petista nas principais pesquisas de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto.
Um áudio vazado, em maio, mostra que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador nega irregularidades. O financiamento da produção ainda é investigado.
O discurso no entorno do presidente é de priorizar calibrar a reação às investigações em curso e reforçar plataformas de convencimento do eleitorado independente. A ideia é seguir trabalhando em uma “comparação” de feitos entre Lula e Flávio.
“A orientação é focar na campanha e não confiar em um erro dele”, disse à reportagem um aliado próximo ao presidente.
Em paralelo, contudo, o PT pediu aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e Flávio Dino a retirada do sigilo do caso do Banco Master e de investigações relacionadas.
As peças são assinadas pelo advogado do PT Ângelo Ferraro — que também é coordenador jurídico da campanha do presidente Lula à reeleição.
Na petição, o PT argumenta que os “vazamentos seletivos” no caso esvaziam o mérito do sigilo processual. A sigla reclama que informações descontextualizadas estariam sendo veiculadas com viés eleitoral.
Membros da equipe jurídica de Lula consultadas sob condição de reserva tratam com cautela a chance de o pedido ser atendido pelo Supremo. Mas defendem que, do ponto de vista técnico, a possibilidade se sustenta.
Um dos principais precedentes citados é a Operação Spoofing, conduzida em 2019 por Ricardo Lewandowski. O então ministro do STF retirou o sigilo de trocas de mensagens entre o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato em meio a vazamentos à época.
A PF (Polícia Federal) cumpre nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme “Dark Horse” Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos.

