Diante dos possíveis impactos do El Niño, a SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) elaborou um plano de ações de prevenção e resposta às arboviroses, que podem ser resultado dos efeitos do fenômeno climático.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado de São Paulo.
Assim, entre as regiões prioritárias para o reforço das ações estão: Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.
De acordo com o governo do estado, nessas áreas, por conta da previsão de mais chuvas e calor, existe a possibilidade de aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika, maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações.
O plano tem como objetivo de antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede assistencial diante da previsão do aumento das temperaturas e temporais.
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o fenômeno foi estruturado para apoiar as regiões diante de quatro cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses.
Para o enfrentamento das arboviroses, o planejamento prevê o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o acompanhamento dos indicadores, o controle do vetor e a organização da rede para uma eventual elevação da demanda.
De acordo com o governo do estado, as medidas devem ser adotadas de acordo com o nível de risco identificado em cada território.
Segundo Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, “a alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses […] A participação da população também é decisiva. Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”, afirmou ela.
Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual dos casos de dengue no estado apresentou melhora expressiva, uma vez que foi registrada queda de 93,2%.
Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo registrou 58.271 casos de dengue, ante 855.132 no mesmo período de 2025 — quase 797 mil casos a menos.
Como eliminar os criadouros
A principal recomendação é fazer uma vistoria semanal em casas e apartamentos, com atenção redobrada após períodos de chuva:
- Mantenha caixas-d’água e outros reservatórios bem fechados;
- Remova folhas e materiais que possam impedir o escoamento da água pelas calhas;
- Preencha os pratos dos vasos de plantas com areia até a borda;
- Troque a água e lave os vasos de plantas aquáticas com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana;
- Guarde garrafas e outros recipientes com a abertura voltada para baixo;
- Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha as lixeiras fechadas;
- Descarte corretamente pneus, embalagens e objetos que possam acumular água;
- Após as chuvas, verifique quintais, varandas, ralos e áreas de serviço.
Sintomas e sinais de alarme
De acordo com a secretaria, a primeira manifestação da dengue costuma ser a febre alta, acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias. Também podem ocorrer:
- Dor de cabeça;
- Dores no corpo e nas articulações;
- Dor atrás dos olhos;
- Fraqueza e mal-estar;
- Náuseas e vômitos;
- Manchas vermelhas e coceira na pele.
Em caso de suspeita, a Secretaria de Saúde orienta a procura de um serviço de saúde e não se automedicar.
*Sob supervisão de Julia Farias

