O cantor Will.i.am, 51, defendeu, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, que a IA (inteligência artificial) pode representar uma oportunidade para resgatar o que há de mais genuíno na música. Para ele, a crise de criatividade e autenticidade no setor não é um fenômeno recente, nem pode ser atribuída à IA.
A decadência começou antes da IA
Will.i.am argumentou que a indústria musical já vinha perdendo sua essência muito antes do surgimento das ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, a priorização de playlists e das taxas de “skip” em detrimento da orquestração e da estrutura narrativa das músicas foi o que esvaziou a arte da composição.
“A arte de fazer álbuns se perdeu, e isso não foi por causa da IA — aconteceu antes da IA”, afirmou.
Algoritmos como vilões da criatividade
O artista apontou que a busca incessante pelo comportamento do ouvinte digital — como o hábito de pular músicas — fez com que a indústria abandonasse a profundidade artística. Para Will.i.am, a comparação entre os melhores artistas de hoje e nomes como Prince ou Michael Jackson nos anos 1970 e 1980 evidencia uma redução da imaginação que não pode ser imputada à tecnologia atual.
“A IA não foi responsável pela redução da imaginação”, declarou.
IA como força transformadora
Apesar das críticas ao cenário atual, Will.i.am demonstrou otimismo em relação ao papel que a inteligência artificial pode desempenhar daqui para frente. Ele acredita que, ao tornar a criação musical instantânea, a IA forçará as pessoas a valorizarem de forma diferente o que consideram sagrado na arte.
“Vai forçar os humanos a valorizar de forma diferente, a guardar o que é sagrado muito mais perto de nós”, disse.
O artista concluiu, destacando que shows ao vivo, performances de teatro e espetáculos de comédia continuam sendo espaços de verdade e autenticidade. Para ele, a IA pode ser justamente o gatilho que levará músicos e o público a prestar mais atenção às coisas que realmente importam na experiência musical humana.

