A polícia do Reino Unido iniciou uma investigação criminal sobre o partido de direita Reform UK, poucos dias após uma reportagem investigativa alegar que o partido violou leis de financiamento de campanha ao utilizar doadores estrangeiros para pagar pesquisas de opinião política.
O anúncio ocorre após uma reportagem secreta exibida pela emissora britânica Channel 4, que mostrou um repórter reunindo-se com o ex-chefe de políticas do partido, James Orr, e com o assessor sênior Dan Jukes, para articular o financiamento — por parte de uma empresa americana — de três pesquisas encomendadas pelo partido.
Essas pesquisas foram posteriormente divulgadas por jornais nacionais que, sem saber, as classificaram como independentes, ajudando a impulsionar uma narrativa-chave antes das eleições locais de maio: a de que o Reform está em ascensão e representa uma ameaça eleitoral real tanto para o Partido Trabalhista (que está atualmente no governo) quanto para os Conservadores (partido de direita da oposição).
Um porta-voz do Reform UK disse à CNN que o partido “nega qualquer irregularidade e cooperará plenamente com a investigação”.
O repórter infiltrado apresentou-se como o filho britânico de um americano rico, disposto a repassar dinheiro ao grupo por meio do filho, uma vez que doações estrangeiras a partidos políticos são proibidas pela legislação eleitoral.
Jukes e Orr, que deixaram seus cargos após a reportagem, organizaram um encontro entre o repórter, um ator que se passava por seu pai rico e o líder do partido, Nigel Farage (aliado próximo do presidente dos EUA, Donald Trump), para discutir uma doação muito maior que viria dos americanos.
“Após uma reportagem do Channel 4 News na quinta-feira, 3 de setembro, a Polícia Metropolitana recebeu diversas denúncias relacionadas a doações e pesquisas envolvendo um partido político“, disse um porta-voz da corporação à CNN.
“Investigadores analisaram as informações fornecidas e determinaram que há possíveis infrações que exigem investigação.”
Essa investigação será integrada a uma apuração já em curso sobre outras doações ao Reform UK, acrescentou a Polícia Metropolitana.
O Reform tem enfrentado uma série constante de alegações sobre suas finanças desde que o jornal The Guardian noticiou, em abril, que Farage havia aceitado uma doação de 5 milhões de libras de um bilionário radicado na Tailândia em 2024, sem declará-la.
O episódio gerou uma pressão política sem precedentes sobre Farage, que tentou retomar a iniciativa renunciando ao cargo no Parlamento e candidatando-se novamente à sua cadeira, sendo eleito com sucesso durante o verão.
Quem é Nigel Farage, representante da ultradireita de eleição do Reino Unido?

